Elza Berquó, referência em demografia, falece aos 100 anos
Elza Berquó, uma das figuras mais influentes da demografia brasileira, faleceu na quinta-feira, 16 de julho, aos 100 anos. Sua trajetória extraordinária foi marcada por um compromisso inabalável com a pesquisa e a transformação social, colocando a demografia a serviço da população e das políticas públicas.
Formada em matemática e com um doutorado em bioestatística pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Elza se destacou ao introduzir métodos modernos de análise demográfica em um Brasil que começava a vivenciar profundas mudanças sociais e populacionais. Ela fez parte de um grupo pioneiro que estabeleceu a demografia como uma ciência essencial para entender a realidade brasileira.
Ao longo de sua carreira, Berquó foi uma das fundadoras de instituições significativas, como o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em 1969 e o Núcleo de Estudos de População da Unicamp em 1982. Sua atuação não se limitou a criar essas entidades; ela também formou novas gerações de pesquisadores, instigando-os a pensar sobre como os dados podem ser usados para promover melhorias na vida das pessoas.
Glaucia Marcondes, atual coordenadora do Nepo, destacou a capacidade de Elza em provocar reflexões sobre o sentido social da pesquisa científica. “Ela sempre perguntava o que poderíamos fazer com os dados que coletamos para construir uma sociedade melhor”, lembrou Marcondes, ressaltando a crítica social constante que permeava a atuação de Berquó.
A demógrafa não apenas estudou desigualdades sociais, mas também trabalhou ativamente para que essas questões fossem investigadas por pesquisadores comprometidos com a realidade que enfrentavam. Ela foi uma das precursoras a perceber a importância de incluir a perspectiva de gênero e raça nos estudos demográficos, promovendo a inclusão de jovens pesquisadoras negras em programas de apoio.
Mesmo após sua aposentadoria, Elza manteve-se uma figura respeitada e querida entre os novos pesquisadores, sempre interessada nas novas discussões e inovações. Sua influência transcendeu as barreiras da academia, e seu legado continua a inspirar o campo da demografia e outras áreas de pesquisa.
A importância de Elza Berquó vai além de suas realizações acadêmicas; ela deixou uma marca afetiva e respeitosa em todos que tiveram a oportunidade de conviver com ela. Sua presença era reconhecida e admirada, e sua dedicação ao ensino e à formação de novos pesquisadores será sempre lembrada. Em 2021, ela foi homenageada com o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp, onde incentivou jovens a continuarem a luta pela democracia e pela construção de um futuro melhor.
A morte de Elza Berquó representa não apenas a perda de uma grande pesquisadora, mas também a despedida de uma liderança que sempre uniu rigor científico e um profundo compromisso social. Seu legado permanecerá vivo nas instituições que ajudou a criar e nas vozes de todos aqueles que foram inspirados por sua visão humanista da ciência.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.