Diva Amon defende combate à ciência colonial em expedições oceânicas
A cientista Diva Amon, natural de Trindade e Tobago, trouxe à tona questões fundamentais sobre a desigualdade na ciência marinha durante o LAC Connections Symposium 2026, realizado pela FAPESP e pela Academia Brasileira de Ciências em Itatiba. Amon, que liderou a primeira expedição caribenha ao mar profundo, destacou a necessidade urgente de combater a chamada 'ciência colonial', onde dados e espécimes coletados no Sul Global são frequentemente armazenados em instituições do Norte Global, deixando os países de origem sem acesso às suas próprias descobertas.
Amon, que é pesquisadora na Universidade da Califórnia e diretora da organização sem fins lucrativos SpeSeas, apresentou dados alarmantes durante o evento: apenas 3% do material biológico coletado nas águas profundas de Trindade e Tobago estavam armazenados em seu país natal, enquanto o restante estava em instituições do Norte Global. Essa situação revela um padrão de exploração científica que muitas vezes ignora a contribuição dos cientistas locais.
"A ciência colonial ainda é predominante em várias partes do mundo, e a América Latina, África e Sudeste Asiático não são exceções", afirmou Amon. A prática de pesquisadores do Norte Global coletarem amostras no Sul e publicarem suas pesquisas sem a participação dos cientistas locais perpetua desigualdades e limita o avanço do conhecimento nas regiões afetadas.
Amon contou que, durante sua formação, percebeu a disparidade ao estudar ecossistemas próximos a sua terra natal, sem ter acesso às informações geradas sobre eles. Essa percepção a levou a buscar maneiras de mudar a realidade na pesquisa científica. "Com o tempo, percebi que era essencial gerar consciência sobre essas questões e buscar parcerias que respeitassem o conhecimento local", disse.
Ela enfatizou a importância de formar colaborações significativas entre cientistas do Sul Global, destacando que o aprendizado mútuo é vital para superar desafios comuns, como a falta de recursos. Amon acredita que é possível realizar pesquisas eficazes apenas com redes de instituições do Sul Global, sem depender de parcerias do Norte. "As melhores colaborações que tenho são entre países do Sul, como Costa Rica, África do Sul e outras nações caribenhas", afirmou.
A abordagem de Amon na sua expedição foi diferente: todos os espécimes coletados foram mantidos em Trindade e Tobago, garantindo que o país tivesse acesso ao material. Essa mudança de paradigma é um passo importante para a autonomia científica e o fortalecimento da pesquisa local.
A luta contra a ciência colonial é um aspecto essencial para o futuro da pesquisa oceânica e científica em geral. Amon acredita que, com o apoio de instituições que reconhecem a necessidade de mudança, como a National Geographic Society, é possível criar um novo modelo de colaboração que valorize a ciência produzida no Sul Global e permita que seus cientistas tenham voz ativa na pesquisa sobre seus próprios ecossistemas.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.