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Diamante de Juína revela como água chega ao manto da Terra

Estudo inédito mostra que goethita pode transportar água a profundidades extremas no interior do planeta.

Diamante de Juína revela como água chega ao manto da Terra

Essa descoberta é crucial para entender como a água se comporta nas profundezas da Terra, o que pode impactar nosso conhecimento sobre vulcanismo e a dinâmica do manto terrestre.

Uma equipe de geólogos brasileiros fez uma descoberta significativa ao analisar um diamante superprofundo de apenas 3 milímetros de comprimento, originário de Juína, em Mato Grosso. O estudo, realizado no acelerador de partículas Sirius, revelou a primeira evidência direta de que a goethita, um mineral que se forma na presença de água e ferro, pode resistir a pressões e temperaturas extremas, permitindo que a água chegue ao manto inferior da Terra.

A goethita, que é responsável pela coloração marrom dos solos, incorpora moléculas de água em sua estrutura. A pesquisa sugere que esse mineral pode atuar como um veículo que transporta água da superfície até o manto inferior, uma região que se estende até 2.900 km abaixo da superfície. Anteriormente, acreditava-se que a água da crosta terrestre poderia alcançar apenas o manto superior, a uma profundidade máxima de 660 km.

Os diamantes superprofundos, como o analisado, são formados a profundidades superiores a 300 km e são trazidos à superfície por processos vulcânicos. Este estudo, liderado por Carolina Camarda, da Universidade de Brasília, e Hélio Tolentino, do LNLS, marca a primeira pesquisa realizada por uma equipe brasileira utilizando tecnologia nacional, contribuindo para a ciência geológica.

Durante a análise, foi identificada uma inclusão de hidróxido de ferro no diamante, algo raro no manto profundo. Utilizando técnicas avançadas de luz síncrotron, os pesquisadores descobriram a presença de goethita e outros óxidos de ferro, desafiando a crença de que esses minerais não poderiam sobreviver a condições extremas de pressão e temperatura.

A pesquisa sugere que a goethita pode sobreviver ao processo de subducção, onde uma placa tectônica se afunda sob outra. A equipe propõe que a goethita poderia se transformar em hematita e liberar água em profundidades maiores que 400 km, influenciando a formação de magma que poderia subir à superfície.

Essa descoberta também se conecta a estudos anteriores que mostraram a presença de outros minerais, como a ringwoodita, que podem absorver água no manto superior. A nova pesquisa expande nosso entendimento sobre a dinâmica da água nas profundezas da Terra e seu papel na formação de rochas vulcânicas.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports e representam um avanço significativo no campo das geociências, destacando a importância da análise de materiais como os diamantes superprofundos para compreender os processos internos da Terra. A continuidade dos estudos pode elucidar ainda mais o papel da água no manto terrestre e suas implicações geológicas.

Resumo da Notícia

Pesquisadores brasileiros analisaram um diamante superprofundo de Juína e descobriram que a goethita, um mineral comum, pode sobreviver a altas pressões e temperaturas, transportando água da superfície até o manto inferior da Terra. Este estudo, realizado no acelerador de partículas Sirius, tem implicações importantes para a compreensão dos processos geológicos e da disponibilidade de água no interior do planeta.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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