Desinformação Científica: Como Grupos Lucram com Falsidades nas Redes Sociais
A desinformação disfarçada de ciência se tornou uma estratégia lucrativa durante a pandemia de COVID-19, conforme revelam pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT). Através de uma investigação, eles identificaram que, apesar da oposição clara à vacinação, muitos grupos antivacina usavam artigos científicos, inclusive alguns de baixa qualidade, para sustentar suas teses.
Marcelo Alves dos Santos Júnior, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, destacou que essa nova abordagem não rejeita a ciência, mas a distorce para validar crenças antivacina e teorias da conspiração. A comunicação científica é, assim, apropriadamente manipulada, permitindo que informações falsas ganhem credibilidade, o que gera um cenário complexo para a sociedade.
A professora Thaiane Moreira de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescentou que a manipulação da dúvida é uma das táticas mais utilizadas. Grupos organizados criam 'especialistas alternativos' e fomentam polêmicas infundadas, atrasando regulações e promovendo produtos sem eficácia, como promessas de cura para doenças graves. Esse fenômeno não é produto de uma crise de confiança na ciência, mas sim uma crise de legitimidade dos divulgadores científicos.
Bernardo Costa, jornalista do Estadão Verifica, apresentou um exemplo chocante de como a distorção científica gera lucro. O conceito fictício da 'síndrome pós-spike', que alega que vacinas de RNA mensageiro criam efeitos colaterais permanentes, foi promovido para vender consultas e cursos caros, levando a um lucro considerável para seus defensores. Essa prática mostra como a desinformação é rentável e atrativa para muitos.
A mudança no modelo econômico das plataformas digitais também contribui para essa situação. Santos Júnior explica que a publicidade programática, controlada por algoritmos, favorece a distribuição de informações de baixa qualidade, criando um viés que prioriza o lucro em detrimento da veracidade. Esse novo ambiente digital não permite mais que o jornalismo tradicional mantenha sua autonomia, resultando em uma migração da receita publicitária para as grandes empresas de tecnologia.
Por fim, a introdução de inteligência artificial nos mecanismos de busca, que oferece resumos das notícias sem necessidade de cliques, tem o potencial de asfixiar ainda mais o modelo de negócios jornalísticos, provocando uma queda drástica no tráfego de sites de notícias. Essa situação pode levar a um vácuo informacional, que é rapidamente preenchido por redes de desinformação.
Os especialistas concordam que é urgente desenvolver novas estratégias para resgatar a credibilidade da comunicação científica e combater a desinformação, a fim de proteger a saúde pública e a integridade da informação na era digital.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.