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Desindustrialização e Políticas Públicas Transformam Urbanização no Brasil

Estudo revela como novas dinâmicas econômicas alteraram moradia e espaço urbano nas últimas cinco décadas.

Desindustrialização e Políticas Públicas Transformam Urbanização no Brasil

As mudanças na estrutura econômica do Brasil impactam diretamente a forma como as cidades são construídas e habitadas. Entender essas transformações é crucial para abordar as desigualdades urbanas que persistem no país.

A urbanização e a moradia no Brasil passaram por profundas mudanças nas últimas cinco décadas, conforme revelado no livro "A produção da casa e da cidade no Brasil contemporâneo: novos estudos sobre autoconstrução, Estado e imobiliário". Organizado por uma rede de pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Produção da Casa e da Cidade, o estudo revisita questões fundamentais sobre a relação entre economia, trabalho e urbanização.

Historicamente, a industrialização foi o pilar do crescimento econômico brasileiro, mas essa realidade se transformou drasticamente. A indústria, que respondia por cerca de 46% do PIB na década de 1980, caiu para aproximadamente 25% em 2023, com a indústria de transformação representando apenas 15% do PIB. Essa desindustrialização precoce e a reprimarização da economia trouxeram novas formas de precariedade habitacional e desigualdade urbana.

De acordo com Maria Lucia Refinetti Rodrigues Martins, professora da FAU-USP e coordenadora do projeto, a urbanização contemporânea é marcada pela articulação entre o setor imobiliário e o financeiro, que redefine a maneira como as cidades são formadas e habitadas. O conceito de "urbanização a baixos salários" permanece, mas agora se entrelaça com novas dinâmicas de trabalho, como a crescente informalidade e a precarização das ocupações, principalmente em setores como aplicativos e subcontratação.

O livro destaca também que a urbanização não se restringe apenas às grandes metrópoles; cidades médias e novos polos urbanos, impulsionados pelo agronegócio e pela mineração, têm se expandido significativamente. Essa evolução resulta em uma estrutura urbana mais complexa, que ainda apresenta desigualdades persistentes. Mesmo com investimentos em infraestrutura e políticas habitacionais, as disparidades continuam a ser uma característica estrutural dessa urbanização.

Outro ponto importante levantado pelos pesquisadores é a coexistência de formalidade e informalidade na produção do espaço urbano. Muitas áreas urbanas, mesmo aquelas que passaram por intervenções estatais, mantêm características informais, evidenciando que a informalidade não desaparece com a chegada de políticas públicas. Essa dinâmica revela que a produção da cidade está cada vez mais ligada a estratégias de valorização imobiliária, refletindo a influência do mercado financeiro sobre os processos urbanos.

A pesquisa foi estruturada em quatro eixos principais: autoconstrução e territórios populares; produção estatal da moradia e planejamento urbano; mercado imobiliário e infraestrutura; e estudos urbanos na periferia do capitalismo. Essa abordagem visa ampliar o entendimento das transformações urbanas além da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo áreas da Amazônia, regiões de mineração e cidades médias.

Por fim, o estudo conclui que compreender as mudanças nas economias, nas instituições e na sociedade é essencial para abordar as desigualdades urbanas contemporâneas. As transformações que moldaram a produção da casa e da cidade no Brasil são questões centrais para a discussão sobre o futuro das urbanizações no país.

Resumo da Notícia

O livro "A produção da casa e da cidade no Brasil contemporâneo" explora as mudanças na moradia e urbanização brasileiras, destacando a transição da industrialização para uma economia baseada em serviços e finanças. Pesquisadores do INCT analisam como essa transformação impactou desigualdades sociais, trabalho precário e a coexistência de formalidade e informalidade na produção do espaço urbano. Os dados apontam que, apesar dos avanços, as desigualdades urbanas se perpetuam sob novas configurações.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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