Desigualdade social é o maior desafio para a qualidade da educação no Brasil
A educação básica brasileira tem avançado em termos de acesso nas últimas décadas, mas ainda enfrenta desafios profundos relacionados à desigualdade social e à adequação do modelo educacional às transformações tecnológicas e sociais atuais.
O professor Ivan Siqueira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), destacou durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 que, apesar dos progressos desde a Constituição de 1988, a qualidade do ensino ainda não acompanha os investimentos realizados. Ele ressaltou que a desigualdade continua a ser o principal obstáculo, especialmente porque grande parte da educação básica é administrada pelas prefeituras, que frequentemente dispõem de menos recursos e estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano.
Siqueira também chamou atenção para a diferença entre princípios e critérios nas políticas públicas educacionais. Embora a legislação nacional apresente diretrizes corretas, faltam mecanismos objetivos para sua implementação, o que dificulta a governança educacional e a efetivação dos direitos previstos na Constituição.
Além disso, o especialista criticou a formação de professores no país, que permite que candidatos se formem sem experiência prática em sala de aula, e a fragmentação curricular, que impõe um número elevado de disciplinas para poucas horas diárias, sem a presença ampla do ensino em tempo integral.
O impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial foi outro ponto central da discussão. Siqueira ressaltou que o modelo tradicional de aula expositiva não atende às características dos estudantes atuais, que enfrentam dificuldades de concentração e estão expostos a fenômenos como a desinformação e problemas de saúde mental. Ele exemplificou o potencial da inteligência artificial para transformar o mercado de trabalho e o ensino, com ferramentas que podem adaptar planos de aula a diferentes perfis e facilitar a personalização do ensino.
Por fim, o pesquisador enfatizou que a desigualdade social se manifesta desde a infância e tende a se ampliar ao longo da vida escolar, prejudicando a qualidade do aprendizado. Ele reforçou a importância de que as universidades se envolvam mais diretamente com a educação básica para evitar o agravamento dos problemas atuais.
Os próximos passos indicam a necessidade de modernizar os sistemas de avaliação, incorporando habilidades essenciais como pensamento crítico e resolução de problemas complexos, além de fortalecer políticas públicas com critérios claros e investimentos mais eficazes na estrutura e formação docente. O desafio é construir uma educação mais equitativa, contextualizada e alinhada às exigências do século XXI.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.