Descoberta de nova espécie de microrganismo na Antártida surpreende cientistas
Pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) anunciaram a descoberta de uma nova espécie de arqueia, a Pyroantarticum pellizari, que se adapta a temperaturas extremas na ilha vulcânica Decepción, na Antártida. Este microrganismo, coletado em 2014, foi identificado como parte de um estudo publicado em março de 2026 no periódico ISME Communications.
A ilha Decepción, que abriga um vulcão ativo, apresenta um ambiente único, onde a água próxima ao ponto de congelamento pode estar em proximidade com regiões de calor intenso. Essa variação dramática de temperatura, combinada com os compostos químicos provenientes da atividade vulcânica, representa um desafio para a sobrevivência de microrganismos. No entanto, a nova arqueia demonstrou possuir um conjunto de genes que a ajuda a proteger seu DNA, mantendo sua integridade mesmo sob estresse térmico.
O estudo foi conduzido no Laboratório de Extremófilos Marinhos (ExtreMar) e liderado pela professora Amanda Bendia. As amostras que levaram à descoberta foram coletadas durante expedições do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). A bióloga Ana Carolina Butarelli, primeira autora do artigo, utilizou técnicas de metagenômica para analisar os genomas presentes nas amostras, revelando uma linhagem até então desconhecida de arqueia.
Bendia destacou os desafios logísticos envolvidos na manutenção das amostras, que necessitam ser transportadas a temperaturas elevadas e sem oxigênio. Ela planeja isolar a nova espécie em um futuro experimento, com uma nova expedição do PROANTAR prevista para o final de 2026.
A descoberta da Pyroantarticum pellizari tem implicações significativas para a astrobiologia, pois fornece pistas sobre como formas de vida poderiam prosperar em ambientes extremos fora da Terra, como nas luas Europa e Encélado, que possuem oceanos sob superfícies de gelo.
A bióloga Francielli Peres, coautora do estudo, também enfatizou a relevância da pesquisa ao explorar as ligações entre as descobertas e a astrobiologia. Com base nas características adaptativas da nova espécie, os cientistas podem entender melhor como microrganismos sobrevivem em condições adversas, contribuindo para a busca por vida extraterrestre.
Este estudo destaca a importância de investigar a biodiversidade em ambientes extremos, contribuindo para um entendimento mais amplo da evolução das arqueias e suas adaptações. Ao desvendar as adaptações desse microrganismo, os pesquisadores estão colocando mais peças no quebra-cabeça da vida na Terra e além dela.
Resumo da Notícia
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