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Desastres Climáticos Afetam 90% das Cidades Brasileiras em Três Décadas

Estudo revela que eventos como inundações e secas causaram quase 5 mil mortes e prejuízos de US$ 123 bilhões ao Brasil.

Desastres Climáticos Afetam 90% das Cidades Brasileiras em Três Décadas

Os desastres climáticos têm se tornado uma realidade para a maioria das cidades brasileiras, evidenciando a urgência de ações preventivas e políticas públicas que mitiguem os impactos. A falta de registros eficazes pode resultar em subnotificações, aumentando a vulnerabilidade das comunidades.

Um estudo recente revelou que quase 90% das cidades brasileiras enfrentaram desastres climáticos nas últimas três décadas, refletindo um aumento preocupante na frequência e intensidade desses eventos. Entre 1991 e 2024, 91,5% dos 5.570 municípios relataram pelo menos um desastre, sendo que o Sudeste registrou o maior número de mortes relacionadas a inundações e deslizamentos.

Os pesquisadores analisaram aproximadamente 60 mil registros de eventos climáticos extremos, incluindo inundações, secas, tempestades e deslizamentos. As inundações, que compreendem alagamentos e enxurradas, foram responsáveis por um número significativo de fatalidades, enquanto as secas tiveram um impacto mais severo no Nordeste. No total, foram contabilizadas 4.774 mortes e 3.031 desaparecidos, afetando mais de 129 milhões de pessoas e gerando prejuízos econômicos que ultrapassam US$ 123 bilhões.

O estudo, liderado por cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da USP e do Inpe, destaca a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a prevenção e mitigação de desastres climáticos. Os dados revelam que 1.814 cidades enfrentaram três tipos de desastres e 270 sofreram com todos os quatro eventos analisados.

Casos emblemáticos, como os deslizamentos em São Sebastião, SP, em 2023, que resultaram em 60 mortes, e as tempestades que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, são exemplos de como os desastres climáticos podem ter consequências devastadoras. Elton Vicente Escobar Silva, um dos pesquisadores, enfatiza que muitos desses eventos poderiam ser previstos, mas a falta de infraestrutura e a negligência em ações preventivas agravam a situação.

O estudo também revelou falhas significativas nos registros de desastres, com muitas cidades sem Defesa Civil organizada. Isso contribui para a subnotificação de mortes e danos, tornando difícil a avaliação precisa dos impactos reais. A Confederação Nacional de Municípios estima que cerca de 1.660 cidades no Brasil não possuem uma estrutura de Defesa Civil adequada.

Os pesquisadores pedem um olhar mais abrangente sobre os desastres, classificando-os como eventos 'socionaturais', onde a ação humana e as mudanças climáticas se entrelaçam. A crescente quantidade de dados disponíveis é um passo positivo, mas a falta de um sistema de registro eficiente e multirrisco ainda impede uma compreensão completa dos fenômenos.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) está desenvolvendo novas plataformas para melhorar os registros de desastres e permitir uma abordagem multirrisco, que deve ser lançada ainda este ano. Victor Marchezini, sociólogo e coautor do estudo, ressalta a importância de investir em estratégias que reduzam as perdas ao invés de focar apenas na recuperação após os desastres. O estudo defende que a ciência deve contribuir ativamente para a formulação de políticas públicas que ajudem a prevenir e mitigar os impactos dos desastres climáticos no Brasil.

Resumo da Notícia

Um novo estudo revela que 91,5% dos municípios brasileiros enfrentaram desastres climáticos, como inundações e secas, entre 1991 e 2024. O Sudeste concentrou o maior número de mortes relacionadas a inundações e deslizamentos, enquanto o Nordeste liderou em secas. Os pesquisadores alertam para a necessidade de políticas públicas eficazes e destacam que muitos desastres não são registrados, o que pode agravar os impactos sociais e econômicos.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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