Cooperação Científica entre Brasil e Argentina se Fortalece em Tempos de Crise
A cooperação científica entre Brasil e Argentina se mantém sólida, mesmo diante de crises e fragmentações geopolíticas. Durante a 3ª Conferência FAPESP 2026, realizada na última sexta-feira, Ernesto Mané Jr., chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, destacou a importância dessa parceria, que se caracteriza por sua horizontalidade e complementaridade.
Em um contexto global repleto de desafios, como mudanças climáticas e tensões políticas, Mané Jr. reafirmou que a ciência e a inovação são fundamentais para a soberania e integração regional. Ele argumentou que, mesmo com a tentação de buscar colaborações com nações tecnologicamente mais avançadas, a relação com a Argentina é única e valiosa.
O diplomata, que possui um extenso currículo na área de física nuclear, ressaltou que a colaboração científica vai além de meras trocas acadêmicas. É uma construção de uma infraestrutura robusta e soberana, essencial para enfrentar os desafios contemporâneos. Ele apontou que a FAPESP tem historicamente incentivado a internacionalização da ciência, promovendo ações que conectam pesquisadores de ambas as nações.
Apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina, especialmente após a reorientação da política de ciência e tecnologia sob o governo de Javier Milei, Mané Jr. acredita que a tradição científica do país e suas parcerias históricas continuam a ser altamente relevantes. Ele mencionou que, entre 2023 e 2025, a Argentina perdeu cerca de 5.750 postos de trabalho científico, mas ainda mantém uma estrutura educacional avançada e cinco prêmios Nobel.
Dentre as áreas de colaboração destacadas estão a energia nuclear, onde a Argentina se destaca pela exportação de reatores, e a pesquisa espacial. Mané Jr. sublinhou que a Argentina é a maior usuária estrangeira do acelerador de partículas brasileiro Sirius, reforçando a interdependência entre os dois países.
O diplomata também apresentou um mapeamento inédito da diáspora científica brasileira na Argentina, que se tornou um ativo estratégico para a Diplomacia da Inovação do Brasil. Essa rede, majoritariamente feminina, atua como embaixadora da ciência brasileira e garante a continuidade da cooperação, independentemente das oscilações políticas.
Ao final de sua apresentação, Mané Jr. discutiu a importância da cooperação Sul-Sul, especialmente com países africanos, e ressaltou que essa relação faz parte de sua própria história familiar. Ele defendeu que o desenvolvimento regional e a sobrevivência coletiva dependem de vínculos educacionais e científicos duradouros, que fortalecem a diplomacia e a troca de conhecimentos entre nações.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.