Computação Quântica: Preparação Estratégica é Fundamental para Adoção Comercial
A computação quântica está se aproximando do seu potencial, mas a adoção comercial exige uma preparação cuidadosa e estratégica. Durante a 6ª Conferência FAPESP 2026, Samuraí Brito, especialista em Tecnologias Quânticas do Itaú Unibanco, ressaltou a importância de começar a se preparar agora, identificando problemas que a computação quântica pode resolver e desenvolvendo algoritmos adequados para essa nova realidade.
Atualmente, computadores quânticos estão em fase de testes, mas a utilização comercial em larga escala ainda está distante. Segundo Brito, esperar pela viabilidade comercial pode resultar em um atraso significativo. A preparação deve incluir a formação de equipes especializadas e a criação de parcerias que permitam a exploração das vantagens da computação quântica.
Brito, que possui um doutorado em física e foi nomeada uma das cem profissionais mais influentes na área pela Unesco, afirmou que a inovação deve partir do problema que se deseja resolver, e não da tecnologia em si. “Precisamos entender onde a computação quântica fará a diferença, para que possamos investir de forma assertiva”, destacou. A abordagem deve ser semelhante ao uso de unidades de processamento gráfico (GPU), que são utilizadas apenas em tarefas específicas, assim como as futuras unidades de processamento quântico (QPU).
Desde 2019, o Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi) desenvolve mais de 50 pesquisas, sendo 13 focadas em tecnologias quânticas. Os projetos incluem áreas como criptografia pós-quântica, geração de números aleatórios e otimização de portfólios de investimento. Brito exemplificou que, em um teste, um algoritmo quântico reduziu o tempo de simulação de 28 horas para apenas 74 minutos, ao melhorá-lo com técnicas clássicas que se inspiraram na abordagem quântica.
A pesquisa também revelou que os benefícios da computação quântica podem ser obtidos mesmo quando as melhores soluções não são quânticas. Isso significa que a pesquisa em computação quântica pode resultar em inovações valiosas, independentemente da maturidade da tecnologia. Brito enfatizou que entender quando e onde a computação quântica não é necessária é igualmente importante.
Além disso, a computação quântica traz desafios significativos, especialmente no campo da segurança cibernética. Com algoritmos quânticos, as vulnerabilidades da criptografia atual podem ser exploradas, tornando a proteção de dados uma preocupação urgente. Brito mencionou a necessidade de desenvolver uma agilidade criptográfica que permita a troca rápida de algoritmos à medida que novas ameaças surgem.
No contexto brasileiro, a discussão sobre a soberania tecnológica e a necessidade de desenvolvimento de hardware quântico também foi abordada. Embora existam computadores quânticos no mercado, a questão é se eles são capazes de resolver problemas relevantes de forma vantajosa. Para Brito, o foco deve estar em como as instituições irão utilizar a tecnologia quando estiver plenamente disponível.
A conferência, que contou com a participação de especialistas e moderadores do setor, destacou que a vantagem estratégica está em saber como aplicar essas tecnologias emergentes. A mensagem final de Brito foi clara: a questão não é se a computação quântica será adotada, mas sim quando e quão bem preparados estaremos para essa transição.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.