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Classe C lidera empreendedorismo no Brasil, aponta estudo

Pesquisa revela que quase metade dos empresários brasileiros pertence à classe média e busca autonomia financeira.

Empreendedorismo na Classe C

O crescimento do empreendedorismo na classe C reflete uma mudança significativa na dinâmica econômica, mostrando que muitos buscam mais do que uma alternativa emergencial, visando autonomia e melhores condições financeiras. No entanto, diferenciar negócios sustentáveis de atividades por necessidade é crucial para direcionar políticas públicas eficazes, que promovam crédito, inovação e capacitação, fortalecendo o desenvolvimento econômico e social de forma equilibrada.
Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quase metade dos empreendedores ou donos de negócios do Brasil pertencem à classe C, chamada classe média. Isso é o que aponta um estudo elaborado pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

De acordo com o estudo, o empreendedorismo, antes visto como uma fonte alternativa de renda momentânea ou emergencial, “tem se consolidado como uma aspiração de trabalho, fundamentada no desejo da ascensão social e, ao mesmo tempo, na perda de status do trabalho em regime de CLT”.

A flexibilidade, a autonomia e a expectativa de ganhos superiores têm sido os principais fatores para a escolha pela atividade. Para os interessados, abrir o próprio negócio pode oferecer melhores condições de vida e evitar longas jornadas de trabalho, deslocamentos exaustivos e, por vezes, ambientes de trabalho tóxicos ou abusivos.

“O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para manterem a si e suas famílias. E não apenas isso, mas geram emprego e renda e criam inclusão social, mobilizando comunidades inteiras em todo o país”, disse Décio Lima, presidente do Sebrae, em nota.

Lima destaca que o crescimento do setor depende de "fomento e o ambiente legal necessário para ampliar a produtividade e competitividade dessas empresas com políticas públicas que garantam acesso a crédito, inovação e capacitação".

Ao analisar os dados, o economista e pesquisador Euzébio de Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), reforçou que o empreendedorismo é fundamental para o desenvolvimento do país, e defendeu qualificação do negócio.

“Nem toda abertura de CNPJ, nem todo trabalho por conta própria, nem toda prestação de serviços pode ser tomada automaticamente como expressão de iniciativa empreendedora. É necessário distinguir o empreendedorismo propriamente dito, associado à inovação e à ampliação da capacidade produtiva, das formas de trabalho subordinado disfarçadas de autonomia, muitas vezes organizadas por meio da pejotização, e também das atividades de mera subsistência que costumam ser chamadas de empreendedorismo por necessidade”, disse à Agência Brasil.

O empreendedorismo por necessidade, destacou Sousa, costuma ocorrer quando a pessoa abre um negócio por não ter encontrado opção satisfatória no mercado de trabalho, "situação comum em contextos de desemprego, informalidade elevada, baixos salários, precarização do trabalho e ausência de proteção social”.

Em sua visão, o empreendedorismo “não pode decorrer da pobreza ou da ausência de alternativas”.

“Quando isso ocorre, não se está diante do empreendedorismo inovador capaz de promover desenvolvimento, mas de estratégias defensivas de sobrevivência em um contexto de forte precariedade social e ocupacional”, explicou.

Resumo da Notícia

Um levantamento do Instituto Locomotiva e Sebrae mostra que a classe C é a que mais se dedica ao empreendedorismo no Brasil, representando quase metade dos donos de negócios no país. O estudo destaca que essa atividade deixou de ser apenas uma alternativa emergencial e passou a ser vista como uma oportunidade de ascensão social, motivada pela busca por flexibilidade, autonomia e melhores rendimentos. O presidente do Sebrae ressalta a importância de políticas públicas que promovam crédito, inovação e capacitação para fortalecer esse setor. Por outro lado, especialistas alertam que nem todo trabalho por conta própria reflete empreendedorismo genuíno, sendo essencial diferenciar iniciativas inovadoras de situações de subsistência ou precariedade. O empreendedorismo por necessidade, ligado à falta de opções no mercado formal, não contribui para o desenvolvimento sustentável, mas representa um mecanismo de sobrevivência em contextos de vulnerabilidade social e econômica.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.