Cientista brasileiro lidera digitalização de 400 anos da flora mundial
O biólogo brasileiro Alexandre Antonelli, que assumiu a liderança científica do Kew Gardens, em Londres, em 2019, celebrou a conclusão de um projeto ambicioso: a digitalização de 6,4 milhões de espécimes de plantas e fungos, um acervo que representa 400 anos da história da flora do planeta. Este esforço, considerado o maior projeto científico da história do Kew, envolveu a colaboração de cerca de 1.650 pessoas de diversas partes do mundo.
O projeto foi inspirado na iniciativa brasileira Reflora, que, desde 2010, resgata as coleções botânicas brasileiras em herbários estrangeiros. Antonelli, que também é autor do relatório Estado Global das Plantas e Fungos 2026, enfatiza a importância da digitalização como ferramenta para democratizar o acesso ao conhecimento botânico.
Ao digitalizar as coleções, a ideia não é apenas tornar os dados acessíveis, mas também acelerar a pesquisa científica, permitindo que os pesquisadores consultem espécimes sem a necessidade de viagens longas a herbários. Isso é fundamental para descrever novas espécies e realizar estudos sobre evolução e ecologia.
A repatriação digital, como é chamada, se insere em um movimento global que busca devolver o conhecimento e a cultura que foram historicamente explorados. Antonelli destacou que, embora a repatriação física de coleções seja complexa devido à legislação britânica, o Kew está comprometido em emprestar materiais a pesquisadores que necessitam.
Além disso, o projeto de digitalização permite que a ciência avance de maneira mais ágil. A interconectividade propiciada pela digitalização significa que qualquer pesquisador pode acessar informações sobre plantas e fungos a partir de qualquer lugar do mundo, tornando a pesquisa mais acessível e eficiente.
O Kew Gardens abriga uma coleção de aproximadamente 300 mil espécimes-tipo, que são essenciais para a descrição de novas espécies. A instituição britânica, embora não seja a maior em número de exsicatas, é considerada uma das mais importantes devido à riqueza de seus dados.
Antonelli também discute a importância dos herbários locais na preservação da biodiversidade global e a necessidade de mobilizar recursos para digitalizá-los. Ele alerta que a concentração de coleções em um único local pode ser arriscada, como demonstrado por incêndios que destruíram acervos valiosos no Brasil.
O futuro da botânica, segundo Antonelli, está na colaboração entre instituições e na utilização de tecnologias para restaurar ecossistemas. O Kew está trabalhando com comunidades locais no Brasil para caracterizar espécies e desenvolver projetos de restauração ecológica, utilizando inteligência artificial e mapeamento para priorizar áreas de intervenção.
Por fim, o cientista brasileiro tem se envolvido ativamente em discussões sobre a perda de biodiversidade e a importância da conservação. Ele acredita que, embora a conscientização sobre mudanças climáticas possa ser mais evidente, a preservação da biodiversidade pode gerar resultados rápidos e tangíveis, conectando as pessoas de maneira mais direta com a natureza.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.