Cientista brasileiro digitaliza 400 anos da flora mundial no Kew Gardens
Alexandre Antonelli, um biólogo brasileiro, alcançou um marco significativo ao concluir a digitalização de um acervo de 400 anos da flora mundial no Kew Gardens, em Londres. O projeto, que envolveu a digitalização de 6,4 milhões de espécimes de plantas e mais de 1 milhão de fungos, é considerado o maior esforço científico já realizado pela instituição britânica.
Assumindo a liderança da área científica do Kew em 2019, Antonelli identificou a digitalização como uma prioridade para a instituição. Ele percebeu que pesquisadores de diversas partes do mundo enfrentavam dificuldades para acessar espécimes de suas regiões de origem, o que prejudicava estudos e pesquisas. A digitalização visava acelerar a ciência e facilitar a descrição de novas espécies, além de mitigar a perda de biodiversidade.
A inspiração para esse projeto monumental veio do Brasil, especificamente do Reflora, uma iniciativa pioneira que começou em 2010 com o objetivo de repatriar digitalmente coleções de flora brasileira armazenadas no exterior. Antonelli foi colaborador importante desse projeto e pretende aplicar o mesmo modelo para digitalizar as coleções do Kew.
Durante uma visita da delegação da FAPESP Week Londres ao Kew, o cientista destacou a relevância da repatriação digital como parte de um movimento global que busca devolver artefatos históricos e conhecimentos às suas origens. Embora a repatriação física de espécimes seja complexa, o Kew está comprometido em democratizar o acesso ao conhecimento botânico.
O herbário do Kew, que abriga cerca de 6,4 milhões de espécimes, é fundamental para a ciência global, e Antonelli ressaltou a importância dos herbários locais na preservação do patrimônio botânico. Ele mencionou que as coleções de herbários menores, apesar de seu tamanho, desempenham um papel crucial na rede mundial de biodiversidade.
Além da digitalização, o Kew Gardens tem colaborado com o Brasil em diversas frentes, como etnobotânica e restauração ecológica. Antonelli lidera um projeto-piloto de restauração na Mata Atlântica, utilizando tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial para priorizar áreas de recuperação de biodiversidade.
Por fim, Antonelli mencionou que a conservação da biodiversidade é uma questão urgente, e a digitalização das coleções permite que pesquisadores de todo o mundo tenham acesso a informações essenciais para a tomada de decisões. Com isso, o Kew Gardens não apenas preserva a história natural, mas também inspira novas gerações a valorizar e cuidar do meio ambiente.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.