Ciência e Tecnologia Brasil

Avanço em materiais porosos eleva eficiência na purificação da água

Pesquisadores brasileiros desenvolvem MOFs de zircônio para degradar contaminantes aquáticos com mais de 95% de eficácia

Avanço no Tratamento de Água

A inovação no uso de materiais fotocatalíticos pode transformar o tratamento de água, oferecendo uma alternativa sustentável para eliminar poluentes tóxicos como corantes e antibióticos. Essa tecnologia baseada em energia solar promete reduzir impactos ambientais e melhorar a qualidade da água, beneficiando a saúde pública e contribuindo para processos industriais mais limpos e eficientes.



Resultados mostram eficiências superiores a 95% na remoção de diferentes contaminantes (imagem: CDMF/divulgação)





Química


Pesquisa avança na área de materiais porosos, destaque no Nobel de Química 2025




02 de fevereiro de 2026





Estudo com participação de pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais, um CEPID da FAPESP, apresenta uma nova arquitetura molecular baseada em estruturas metalorgânicas (MOFs) de zircônio, projetada para a degradação eficiente de contaminantes emergentes da água



Agência FAPESP * – Pesquisa de cientistas brasileiros apresentou avanços em uma área reconhecida com o Prêmio Nobel de Química 2025: o desenvolvimento e a aplicação de estruturas metalorgânicas (MOFs, de metal-organic frameworks), materiais cristalinos porosos capazes de revolucionar tecnologias ambientais e energéticas.



O estudo contou com a participação de pesquisadores vinculados ao Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).



O trabalho apresenta uma nova arquitetura molecular baseada em MOFs de zircônio, projetada para a degradação eficiente de contaminantes emergentes da água, como corantes industriais e antibióticos. E dialoga diretamente com os avanços científicos que levaram Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar Yaghi a receberem o Nobel de Química no ano passado, pela criação de uma nova forma de arquitetura molecular (leia mais em: agencia.fapesp.br/56127). Os laureados foram responsáveis por estabelecer os fundamentos das estruturas metalorgânicas, materiais formados pela combinação de íons metálicos e ligantes orgânicos que se organizam em redes cristalinas altamente porosas.



A pesquisa dos brasileiros foi publicada na Advanced Sustainable Systems. No artigo, os pesquisadores descrevem o desenvolvimento de uma heteroestrutura inovadora, integrando um MOF de zircônio (Zr-MOF), conhecido por sua alta estabilidade química, com o semicondutor pirofosfato de prata. Essa combinação resulta em um material capaz de absorver luz solar de forma eficiente, promover a separação de cargas elétricas e gerar espécies reativas responsáveis pela degradação de poluentes persistentes em meio aquoso.



Os resultados mostram eficiências superiores a 95% na remoção de diferentes contaminantes, além da transformação dessas substâncias em intermediários significativamente menos tóxicos, conforme demonstrado por análises avançadas de cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa e ensaios de fitotoxicidade. Um dos diferenciais do trabalho é o uso de modelagem óptica baseada no Six-Flux Model, que revelou que o material absorve quase sete vezes mais fótons na região do visível do que na faixa ultravioleta, reforçando seu potencial para aplicações sustentáveis movidas a energia solar.



O artigo Solar-responsive Zr-MOF/AgPO heterostructures for sustainable photocatalytic degradation of emerging water contaminants pode ser lido em: advanced.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/adsu.202501297.



* Com informações da Assessoria de Imprensa do CDMF.

Resumo da Notícia

Cientistas brasileiros do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) criaram uma inovadora estrutura molecular baseada em MOFs de zircônio que promove a degradação eficiente de poluentes emergentes na água, como corantes industriais e antibióticos. Utilizando uma heteroestrutura que combina MOFs com semicondutores à base de pirofosfato de prata, o material absorve luz solar de forma otimizada, gerando cargas elétricas que quebram substâncias tóxicas, atingindo mais de 95% de remoção dos contaminantes. Além disso, o processo transforma os poluentes em compostos menos prejudiciais, comprovado por análises avançadas. A pesquisa, alinhada com os avanços que originaram o Nobel de Química 2025, destaca-se pelo uso de modelagem óptica que demonstra a absorção eficiente da luz visível, apontando para soluções sustentáveis em tratamento de água movidas a energia solar.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município