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Crédito da imagem: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Violência contra mulheres cresce e limita direito de ir e vir em SP

Feminicídios aumentam em São Paulo, evidenciando falhas na proteção e atendimento às vítimas

Impacto do aumento dos feminicídios

O crescimento dos feminicídios em São Paulo reflete desafios graves na proteção das mulheres, afetando sua segurança e liberdade. A insuficiência de recursos e a fragilidade na aplicação das medidas protetivas comprometem a eficácia das políticas públicas, aumentando o risco para as vítimas e exigindo maior atenção das autoridades para garantir direitos fundamentais e promover um ambiente mais seguro e justo para todas.
São Paulo (SP) 30/08/2024 - Uma ação destinada à conscientizar a população sobre pessoas desaparecidas, foi organizada na Praça da  Sé.  Amelinha uma das organizadora do ato. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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“Nós estamos perdendo o direito de ir e vir, esse direito fundamental que está lá na Constituição”. A declaração da jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, militante feminista da União de Mulheres de São Paulo, denuncia a insegurança gerada pela atual violência contra mulheres no país, especialmente no estado de São Paulo, que tem batido recordes de feminicídio.

Em 2025, o estado registrou o maior número de vítimas de feminicídio desde o início da série histórica, em 2018. Foram 270 assassinatos contra mulheres por violência de gênero, o que representa um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando foram 253 casos. 

“Ficamos com medo de sair. Estamos até fazendo grupos para sair, porque, sozinha, está difícil”, acrescentou.

Amelinha, como é conhecida, participou, na última sexta-feira (6), da Audiência Pública Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada pela Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica da Capital, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Ela citou a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, realizada em dez capitais brasileiras pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec. O resultado mostrou que sete em cada dez mulheres relataram que já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual

“Lembro que, há 20 anos, ─ a Lei Maria da Penha está fazendo 20 anos ─ a gente falava assim: agora a mulher que denunciar, que procurar os serviços, não vai ser morta, porque vai ter proteção, tem medidas concretas para evitar essa morte”, relatou Amelinha. No entanto, ela lamenta que esse não é o cenário atual no contexto da violência contra a mulher.

Proteção insuficiente

A ativista aponta que mesmo as mulheres que têm medidas protetivas deferidas pela Justiça estão morrendo. Uma em cada cinco vítimas de feminicídio na cidade de São Paulo (21,7%) tinha medida protetiva, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado na semana passada.

De setembro de 2023 a março de 2025, foram registradas 83 vítimas na capital paulista, das quais 18 tinham obtido medida protetiva urgente (MPU).

Considerando o total de 1.127 feminicídios analisados pelo FBSP em 16 unidades da federação, 148 mulheres (13,1%) foram mortas apesar da MPU vigente.

“Está faltando fiscalização, acompanhamento. Tem que ter um serviço qualificado, com pessoal qualificado para poder atender a essa mulher e acompanhar cada caso”, disse Amelinha. 

A jornalista denunciou ainda o isolamento do movimento feminista pelo poder público no contexto do combate à violência de gênero. “Está faltando democracia nesse estado e nessa cidade”, disse.

“As mulheres estão com medo de procurar os serviços. Elas falam pra gente, porque os serviços estão sucateados, com pouquíssimos funcionários frente à demanda. Eu sou militante do movimento social, eu trago aqui essas preocupações para fazer coerência com o objetivo dessa audiência, que é ouvir a sociedade civil organizada”, ressaltou.

A Agência Brasil pediu posicionamento ao governo de São Paulo e não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

Resumo da Notícia

O estado de São Paulo registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde 2018, com 270 casos, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior. A jornalista e ativista Maria Amélia de Almeida Teles denuncia que a insegurança crescente tem restringido o direito fundamental das mulheres de se locomoverem livremente. Mesmo com medidas protetivas judiciais, muitas vítimas continuam sendo assassinadas, evidenciando falhas no acompanhamento e na fiscalização dos casos. Além disso, a escassez de recursos e profissionais qualificados nos serviços de apoio dificulta o acesso das mulheres a proteção efetiva. Amelinha também destaca o isolamento do movimento feminista e a falta de diálogo democrático com o poder público, o que agrava o cenário de violência de gênero e medo entre as mulheres paulistas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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