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Vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes reumáticos, diz estudo

Pesquisa da USP comprova eficácia e segurança da vacina em pessoas com doenças autoimunes reumáticas

Vacina segura para pacientes reumáticos

A confirmação da segurança da vacina contra herpes-zóster para pessoas com doenças reumáticas autoimunes amplia as opções de proteção para um grupo vulnerável. A imunização adequada pode prevenir complicações graves, hospitalizações e reduzir o impacto de sintomas debilitantes, especialmente em pacientes com sistema imunológico comprometido, melhorando a qualidade de vida e diminuindo custos associados ao tratamento dessas condições.
Brasília (DF) 29/08/2025 - Vacina de herpes zoster. Foto: MS/Divulgação
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Um estudo inédito, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), revelou que a vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide e lúpus.

A pesquisa mostrou que não houve aumento do risco de agravamento das doenças pré-existentes nos pacientes, incluindo aqueles com doença ativa ou em tratamento com imunossupressores. 

O estudo acompanhou 1.192 pacientes com nove diagnósticos diferentes. Cerca de 90% desenvolveram anticorpos adequados após as duas doses da vacina.

De acordo com a responsável pela pesquisa e titular de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica da FMUSP, Eloisa Bonfá, a pesquisa é a maior do mundo a avaliar, de forma sistemática, a segurança e a capacidade da vacina de estimular as defesas do corpo nesses pacientes, que já tem o sistema imunológico fragilizado por causa das doenças reumáticas autoimunes.

“Trinta porcento dos nossos pacientes estavam com a doença em atividade, tomaram a vacina e não tiveram piora, mostrando que ela é altamente segura para essa população”.

Segundo os dados, a taxa de piora nos pacientes vacinados foi de 14%, valor equivalente aos 15% observados no grupo que recebeu apenas placebo.

Os pacientes relataram menos eventos adversos, como dor no local da aplicação e febre, do que o grupo de controle formado por pessoas saudáveis.

“Tivemos pacientes em sua maioria com artrite reumatoide, que acontece em 1% da população adulta, e lúpus, que é um pouco mais rara. Também testamos em pessoas com esclerodermia, espondilartrite e outras patologias mais raras”, explicou.

No entanto, em pacientes que usam medicamentos específicos, como o rituximabe e o micofenolato de mofetila, a resposta imune foi menor. “Esses não responderam bem, então é preciso fazer uma análise separada, talvez tomar uma dose a mais, fazer algum reforço”, disse a médica.

Eloisa Bonfá destacou que a vacina recombinante já está disponível no mercado e é recomendada para as pessoas acima de 50 anos, faixa etária com aumento de risco para a herpes-zóster.

“É uma vacina muito boa, porque quando há infecção nos pacientes com doenças reumáticas o custo é muito alto para o sistema de saúde, já que eles precisam ser internados. A vacina evita essa complicação que pode levar até a morte”, afirmou a especialista.

O artigo com os resultados do estudo está publicado na revista científica The Lancet Rheumatology.

O que é herpes-zóster

A herpes-zóster, também conhecida como cobreiro, é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ), o mesmo que causa a catapora. Esse vírus permanece em latência durante toda a vida da pessoa.

A reativação ocorre na idade adulta ou em quem tem comprometimento imunológico, como os portadores de doenças crônicas, de acordo com informações do Ministério da Saúde.

Os principais sintomas são dor intensa, formigamento, ardor, coceira ou sensibilidade exagerada ao toque na região afetada. Pode haver febre baixa, dor de cabeça, mal-estar e dores nos nervos.

Na fase ativa, quando aparecem as lesões, surgem manchas vermelhas seguidas de pequenas bolhas agrupadas e cheias de líquido transparente. As bolhas rompem, secam e formam crostas em cerca de sete a 10 dias, com a pele se recuperando totalmente em até quatro semanas.

O tratamento é feito com antivirais que devem ser iniciados nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões. Para manejar a dor, é recomendado o uso de analgésicos. Se houver infecção secundária, recomenda-se o uso de antibióticos.

Entre as complicações mais comuns estão:

  • Dor crônica que persiste por meses ou anos após a cicatrização das feridas;
  • Afetar o equilíbrio, fala, deglutição, movimento dos olhos, mãos, pernas, dedos e braços;
  • Queda na quantidade de plaquetas, responsáveis pela coagulação, no sangue;
  • Síndrome de Reye, doença rara que causa inflamação no cérebro e que pode ser fatal;
  • Varicela disseminada ou varicela hemorrágica em pessoas com comprometimento imunológico;
  • Infecção bacteriana secundária de pele (impetigo, abscesso, celulite, erisipela) ou quadros sistêmicos de sepse, com artrite, pneumonia, endocardite, encefalite ou meningite e glomerulonefrite.

Resumo da Notícia

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP revelou que a vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus. A pesquisa acompanhou 1.192 pessoas, mostrando que cerca de 90% desenvolveram resposta imune adequada sem agravamento das condições preexistentes, mesmo entre aqueles com doença ativa ou em uso de imunossupressores. A taxa de piora foi similar à observada em grupos placebo, e os efeitos colaterais foram menores do que em indivíduos saudáveis. Pacientes usando medicamentos específicos apresentaram resposta imune reduzida, indicando necessidade de avaliação diferenciada. A vacina recombinante, já disponível para maiores de 50 anos, é fundamental para prevenir complicações graves da herpes-zóster nesse grupo, que inclui hospitalizações e risco de morte. Os resultados reforçam a importância da imunização para proteger pessoas com o sistema imunológico comprometido, reduzindo o impacto da doença e seus sintomas debilitantes.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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