USP concede título Doutor Honoris Causa a Vladimir Herzog in memoriam
A Universidade de São Paulo confirmou que concederá o título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao jornalista Vladimir Herzog, assassinato durante a ditadura militar em 1975. A decisão, aprovada pelo Conselho Universitário em fevereiro, foi oficializada pelo reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado em correspondência enviada ao filho do jornalista, Ivo Herzog.
Vladimir Herzog foi figura central no jornalismo brasileiro, tendo atuado em veículos importantes como o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Visão, a BBC em Londres e, por fim, como diretor de jornalismo da TV Cultura. Além disso, foi professor no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, onde deixou legado acadêmico significativo.
O jornalista foi preso e torturado no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão da ditadura. Sua morte, inicialmente registrada como suicídio, foi posteriormente reconhecida como assassinato, evidenciando a brutalidade do regime militar e a tentativa de ocultar crimes contra opositores.
Nascido em 1937 na cidade de Osijek, na antiga Iugoslávia — atual Croácia — Herzog naturalizou-se brasileiro e iniciou sua carreira no jornalismo em 1959. Sua atuação foi marcada pelo compromisso com a liberdade de expressão e a defesa dos direitos humanos, princípios que mesmo após sua morte continuam a inspirar jornalistas e comunicadores.
A concessão do título pela USP é entendida como um reconhecimento não apenas da trajetória profissional e acadêmica de Herzog, mas também como um gesto simbólico de reparação histórica. A cerimônia para entrega do título ainda não tem data prevista, mas representa um marco importante para a memória das vítimas da repressão e para a valorização do jornalismo comprometido com a democracia.
Resumo da Notícia
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