Saúde nas Fronteiras: Brasil e Paraguai Firmam Compromissos em Campo Grande
O V Encontro Saúde nas Fronteiras Brasil-Paraguai, realizado na última quarta-feira (19) em Campo Grande, resultou na formulação da Carta de Campo Grande, que estabelece diretrizes para ações de saúde nas regiões limítrofes entre os dois países. O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, afirmou que a cooperação entre Brasil e Paraguai é fundamental para fortalecer as iniciativas de saúde, especialmente considerando que as barreiras geográficas não impedem a propagação de doenças.
Simões ressaltou que o aumento da circulação de pessoas e mercadorias, principalmente com a futura operação da Rota Bioceânica, demanda um planejamento articulado e compartilhamento de informações. "Queremos criar uma estratégia de monitoramento única nas fronteiras, permitindo um combate conjunto a doenças transmissíveis", disse o secretário.
Durante o encontro, foi formado um grupo de trabalho focado na saúde na região de fronteira entre Carmelo Peralta, no Paraguai, e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. O objetivo é coordenar ações estratégicas que preparem a rede de saúde para os impactos causados pela nova infraestrutura de transporte.
A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, enfatizou que a cooperação técnica deve resultar em ações concretas para a vigilância e atenção à saúde das populações locais. "Os desafios nas fronteiras exigem respostas integradas e nosso foco é transformar essa cooperação em ações efetivas", afirmou.
Entre os principais encaminhamentos da Carta de Campo Grande estão a integração de dados de saúde, definição de indicadores e a utilização de uma plataforma da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para monitorar arboviroses. A diretora de Integração Regional do Ministério da Saúde do Paraguai, Alcira Colarte, destacou que o encontro é um marco em um processo de colaboração que já dura dois anos, permitindo a identificação das necessidades das regiões de fronteira.
Fátima Ali, do Ministério da Saúde brasileiro, também ressaltou a importância do encontro para discutir políticas de saúde adaptadas à realidade dos municípios fronteiriços. A vacinação e combate a arboviroses foram definidas como prioridades, com a elaboração de um Calendário Unificado de Vacinação e estratégias de resposta a surtos.
A formalização da Comissão Binacional de Saúde Brasil-Paraguai foi outro ponto importante da reunião. O grupo se reunirá virtualmente em setembro de 2026 para definir ações concretas. Uma reunião de alta gestão será realizada em Assunção, Paraguai, em setembro, para consolidar o planejamento das ações conjuntas.
A colaboração entre as secretarias e autoridades de saúde dos dois países é essencial para enfrentar os desafios sanitários que transcendem fronteiras. O encontro contou com a presença de técnicos e gestores das áreas de saúde, além de representantes de diversas instituições envolvidas na vigilância sanitária e saúde pública nas regiões fronteiriças.
Resumo da Notícia
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