Saneamento básico na Maré depende de ações integradas, diz ONG
O Complexo da Maré, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, concentra cerca de 200 mil habitantes que convivem com graves problemas de saneamento básico. A falta de infraestrutura adequada para esgotamento sanitário, abastecimento de água, drenagem e manejo de resíduos torna a região vulnerável a alagamentos, contaminações e impactos ambientais na Baía de Guanabara.
Maurício Dutra, coordenador da organização social Redes da Maré e morador da comunidade Nova Holanda, destaca que o crescimento populacional acelerado e as características urbanas da região exigem uma abordagem integrada para o saneamento. Ele aponta que menos de 1% do esgoto gerado na Maré recebe tratamento, com grande parte sendo despejada diretamente em canais que deságuam na baía, agravando a poluição e os riscos à saúde pública.
Historicamente, a expansão dos serviços públicos no Rio de Janeiro priorizou áreas de maior interesse econômico e político, deixando comunidades como a Maré sem acesso eficiente a infraestrutura básica. Essa desigualdade estrutural se reflete no cotidiano dos moradores, que enfrentam enchentes frequentes e convivem com o descarte irregular de lixo, um problema que também interfere no funcionamento das redes de esgoto.
Recentemente, a concessionária Águas do Rio anunciou um investimento de R$ 120 milhões para modernizar o abastecimento e ampliar a conexão das residências à rede de esgoto, além de instalar uma nova tubulação para captar e tratar os rejeitos. Apesar do avanço, o presidente da concessionária, Anselmo Leal, reconhece que a solução envolve também aspectos sociais e demanda uma atuação conjunta com o poder público e a comunidade.
Além disso, o governo federal, em parceria com a prefeitura do Rio, desenvolve o PAC Periferia Viva, que prevê a instalação de cinco ecopontos com caixas compactadoras para melhorar a coleta de lixo na Maré. Na comunidade Novo Pinheiro, antiga Salsa e Merengue, o programa também propõe a urbanização da área antes ocupada por um lixão, incluindo a construção de equipamentos de lazer, como um parque infantil, que trará melhorias significativas para a qualidade de vida local.
Essas iniciativas representam passos importantes para superar os desafios históricos do saneamento na Maré, mas especialistas e lideranças locais reforçam a necessidade de transparência, participação comunitária e planejamento de longo prazo para garantir que os investimentos resultem em benefícios reais e duradouros para os moradores da região.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.