Rota Cine MS Povos Tradicionais Leva Cinema à Comunidade Tia Eva
O Rota Cine MS Povos Tradicionais estreou na Comunidade Tia Eva, transformando o Centro Comunitário em um espaço de encontro cultural e afeto. Após a celebração do terço em honra a São Benedito, moradores se reuniram na última quinta-feira (14) para uma experiência inédita: uma sessão de cinema dentro de sua própria comunidade.
A exibição do curta-metragem sul-mato-grossense 'As Marias', que retrata a vida de três irmãs trigêmeas, foi acompanhada por pipoca e refrigerante, criando um ambiente acolhedor e familiar. O projeto, realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, tem como objetivo levar produções audiovisuais a comunidades tradicionais, democratizando o acesso à cultura.
Deividson Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, destacou a importância de levar o cinema até as comunidades, especialmente para aqueles que enfrentam dificuldades de locomoção. “Quando falamos de política pública, é essencial que ela chegue até a comunidade, e não o contrário”, afirmou.
A sessão foi marcada por momentos emocionantes, principalmente para os mais velhos, que compartilharam memórias ligadas ao cinema e à vida comunitária. Antônio Borges, conhecido como Seu Borginho, expressou sua alegria ao revisitar a experiência cinematográfica após quase uma década. “Isso é muito importante. Muitas crianças aqui quase não saem da comunidade. Trazê-los para ver um filme é mostrar outro lado da cultura”, disse.
Irene Borges, moradora desde 2002, também se emocionou ao vivenciar o cinema pela primeira vez. “Aqui, perto de casa, ficou fácil. Nunca tinha visto uma tela grande assim”, contou, revelando o impacto da iniciativa na vida da comunidade.
Após a exibição do curta, uma roda de conversa abordou temas como envelhecimento, ancestralidade e memória, facilitada pela subsecretária da Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu. A discussão permitiu que os moradores refletissem sobre as mudanças nas estruturas familiares e na valorização das tradições. Seu Borginho relacionou as histórias do filme com as transformações nas relações familiares ao longo do tempo.
A historiadora Vânia Lúcia Baptista Duarte, liderança local, também participou das reflexões, enfatizando como o filme ressoou com as memórias e a realidade quilombola. “O filme fala da irmandade, das mulheres que envelheceram juntas. Mesmo com as dificuldades, é visível a alegria delas em contar suas histórias”, destacou.
Larissa Paraguassu ressaltou a importância do Rota Cine MS Povos Tradicionais na promoção do diálogo e da escuta ativa. “Após cada sessão, vamos compartilhando impressões sobre família, envelhecimento e ancestralidade”, comentou.
O projeto continuará com novas sessões em outras comunidades quilombolas e indígenas de Mato Grosso do Sul. Os próximos encontros estão agendados para a Comunidade Quilombola São João Batista no dia 21 de maio e na Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola Chácara Buriti em 22 de maio, sempre promovendo a cultura local e o pertencimento entre seus habitantes.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.