Relatório da UNCTAD aponta desaceleração do crescimento global até 2026
O Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026, divulgado pela UNCTAD na última sexta-feira (9), prevê uma desaceleração do crescimento global, que deve cair de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026. Para as economias em desenvolvimento, a expectativa é de uma queda de 4,7% para 4% no mesmo período.
O estudo destaca que a inteligência artificial (IA) se tornou um componente crucial para o dinamismo do comércio global, no entanto, os benefícios desse avanço estão fortemente concentrados em poucos países e empresas. O comércio de bens e serviços deve crescer em torno de 4% a preços constantes, impulsionado por aumentos de preços causados por choques no setor energético.
O relatório também aponta que o comércio entre a China e os Estados Unidos caiu mais de 20% desde 2024, enquanto países do Leste Asiático, como a Índia e a Indonésia, ampliaram suas relações comerciais, especialmente com a América do Norte. Essa mudança no comércio global é acompanhada por um aumento nas políticas industriais e comerciais que buscam atender a objetivos geopolíticos e de segurança nacional.
A Ásia continuará a ser o principal motor do crescimento global, prevendo-se que contribuirá com 59% desse crescimento em 2026. O relatório cita o crescimento acelerado de países como a Índia (7,3%) e a China (4,5%), enquanto outras economias do Leste Asiático também apresentam altas taxas de crescimento. Contudo, a convergência de renda entre países em desenvolvimento e países industrializados tem enfrentado dificuldades.
As economias do Norte Global dominam o valor dos novos projetos de investimento direto estrangeiro, especialmente em setores estratégicos como semicondutores e tecnologia de energia renovável. Em contrapartida, as economias em desenvolvimento lideram apenas em minerais críticos, como o cobalto, retendo menos de 1% do valor ao longo das cadeias de suprimento.
O relatório também aborda o impacto do choque energético, que elevou o preço do petróleo Brent de US$ 70 para mais de US$ 110 por barril, afetando principalmente as economias em desenvolvimento e as famílias de baixa renda. A instabilidade financeira e o aumento dos custos de financiamento complicam ainda mais a situação econômica desses países.
Para enfrentar esses desafios, o relatório recomenda que os países em desenvolvimento priorizem setores-chave e diversifiquem seus perfis comerciais, além de avançar na transição energética. A diversificação das fontes de energia renovável pode ajudar a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, alinhando-se a uma estratégia de integração econômica que fortaleça as relações comerciais regionais.
Como próximo passo, a UNCTAD sugere a coordenação de políticas industriais e financeiras para aumentar o valor agregado doméstico, promovendo um desenvolvimento mais equitativo e sustentável. O papel das potências médias do Sul Global na ancoragem da cooperação regional também é destacado, mostrando a importância de um sistema multilateral que favoreça a não discriminação no comércio internacional.
