Relatório da UNCTAD aponta desaceleração do crescimento global até 2026

Crescimento econômico deve cair para 2,6% em 2026, com destaque para a concentração de ganhos em tecnologia.

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Relatório da UNCTAD aponta desaceleração do crescimento global até 2026
Crédito da imagem: Legenda: O Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2026, da ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), constata que um novo mapa do comércio mundial está surgindo. Os produtos de inteligência artificial são hoje o principal motor do comércio de bens, mas os ganhos continuam concentrados. Na foto, Porto de Santos (SP). Foto: © Amaro Fotografia/Getty Images.

Relatório da UNCTAD aponta desaceleração do crescimento global até 2026

A desaceleração do crescimento econômico global e a concentração de ganhos na tecnologia afetam diretamente a dinâmica do comércio internacional, especialmente para economias em desenvolvimento. A capacidade desses países de competir e se beneficiar das novas tendências de mercado está em jogo.

O Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026, divulgado pela UNCTAD na última sexta-feira (9), prevê uma desaceleração do crescimento global, que deve cair de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026. Para as economias em desenvolvimento, a expectativa é de uma queda de 4,7% para 4% no mesmo período.

O estudo destaca que a inteligência artificial (IA) se tornou um componente crucial para o dinamismo do comércio global, no entanto, os benefícios desse avanço estão fortemente concentrados em poucos países e empresas. O comércio de bens e serviços deve crescer em torno de 4% a preços constantes, impulsionado por aumentos de preços causados por choques no setor energético.

O relatório também aponta que o comércio entre a China e os Estados Unidos caiu mais de 20% desde 2024, enquanto países do Leste Asiático, como a Índia e a Indonésia, ampliaram suas relações comerciais, especialmente com a América do Norte. Essa mudança no comércio global é acompanhada por um aumento nas políticas industriais e comerciais que buscam atender a objetivos geopolíticos e de segurança nacional.

A Ásia continuará a ser o principal motor do crescimento global, prevendo-se que contribuirá com 59% desse crescimento em 2026. O relatório cita o crescimento acelerado de países como a Índia (7,3%) e a China (4,5%), enquanto outras economias do Leste Asiático também apresentam altas taxas de crescimento. Contudo, a convergência de renda entre países em desenvolvimento e países industrializados tem enfrentado dificuldades.

As economias do Norte Global dominam o valor dos novos projetos de investimento direto estrangeiro, especialmente em setores estratégicos como semicondutores e tecnologia de energia renovável. Em contrapartida, as economias em desenvolvimento lideram apenas em minerais críticos, como o cobalto, retendo menos de 1% do valor ao longo das cadeias de suprimento.

O relatório também aborda o impacto do choque energético, que elevou o preço do petróleo Brent de US$ 70 para mais de US$ 110 por barril, afetando principalmente as economias em desenvolvimento e as famílias de baixa renda. A instabilidade financeira e o aumento dos custos de financiamento complicam ainda mais a situação econômica desses países.

Para enfrentar esses desafios, o relatório recomenda que os países em desenvolvimento priorizem setores-chave e diversifiquem seus perfis comerciais, além de avançar na transição energética. A diversificação das fontes de energia renovável pode ajudar a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, alinhando-se a uma estratégia de integração econômica que fortaleça as relações comerciais regionais.

Como próximo passo, a UNCTAD sugere a coordenação de políticas industriais e financeiras para aumentar o valor agregado doméstico, promovendo um desenvolvimento mais equitativo e sustentável. O papel das potências médias do Sul Global na ancoragem da cooperação regional também é destacado, mostrando a importância de um sistema multilateral que favoreça a não discriminação no comércio internacional.

Resumo da notícia
De acordo com o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026 da UNCTAD, o crescimento da economia global deverá diminuir de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026. O estudo destaca a inteligência artificial como um motor essencial para o comércio, mas alerta para a concentração dos benefícios. A Ásia lidera o crescimento, mas os desafios para os países em desenvolvimento aumentam, especialmente em um cenário de choques energéticos e instabilidade financeira.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.
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