Relatório da ONU revela crise global de moradia que afeta 3 bilhões de pessoas
Um novo relatório da ONU, intitulado 'Relatório Mundial das Cidades 2026: Crise global de moradia: caminhos para ação', revela que aproximadamente 3 bilhões de pessoas, ou quase 40% da população mundial, enfrentam uma grave crise de moradia adequada. Este cenário é caracterizado por altos preços, escassez de habitação de qualidade e a falta de serviços urbanos essenciais, como água e saneamento.
O lançamento do relatório ocorreu durante a 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial, que aconteceu em maio, em Baku, no Azerbaijão. O documento enfatiza que a solução para essa crise exige um aumento significativo nos investimentos, políticas públicas eficazes e uma colaboração estreita entre governos, setor privado e comunidades locais.
As projeções indicam que as cidades deverão acolher 2 bilhões de novos habitantes até 2050, o que intensificará a pressão sobre sistemas habitacionais já sobrecarregados. Além disso, estima-se que eventos climáticos extremos possam destruir até 167 milhões de moradias até 2040, enquanto os desastres climáticos já causaram perdas de US$ 280 bilhões em 2023.
O relatório também destaca a relação alarmante entre o custo da moradia e a renda das famílias. Globalmente, essa relação aumentou de 9,3 em 2010 para 11,2 em 2023, com algumas regiões da Ásia Central e Meridional atingindo níveis ainda mais críticos. Apenas 25,5% das pessoas que buscam financiamento habitacional conseguem obtê-lo, refletindo a dificuldade de acesso ao crédito em diversas partes do mundo.
A crise de moradia também está intrinsecamente ligada a violações de direitos humanos, com muitos países falhando em proteger suas populações de deslocamentos forçados e condições de vida inadequadas. A pesquisa mostra que, em todo o mundo, 44% dos domicílios gastam mais de 30% de sua renda com moradia, um índice que chega a 55% na África Subsaariana.
O ONU-Habitat, responsável por promover a urbanização sustentável, conclui que a crise habitacional é multidimensional e reforçada por questões demográficas, ambientais e econômicas. A subsecretária geral da ONU, Anacláudia Rossbach, menciona a necessidade de um novo contrato social que reconheça a responsabilidade compartilhada entre diferentes setores para garantir moradia adequada e acessível.
No Brasil, é fundamental fortalecer políticas urbanas que respeitem as realidades locais e promovam o direito à cidade. O relatório sugere que as abordagens devem mudar, deixando de lado a erradicação e exclusão de assentamentos informais, para reconhecer o potencial dessas áreas na busca por soluções habitacionais.
Para enfrentar a crise, é essencial ampliar os mecanismos de financiamento de habitação, direcionando recursos de forma eficaz e incentivando tanto o investimento público quanto privado em moradias populares. A participação comunitária e a inclusão de grupos historicamente marginalizados devem ser priorizadas na formulação e implementação de políticas habitacionais.
O Fórum Urbano Mundial, que ocorre a cada dois anos, é uma plataforma importante para discutir e encontrar soluções para os desafios da urbanização global. O ONU-Habitat, com sua atuação em mais de 90 países, continua sendo uma referência na promoção de cidades e assentamentos sustentáveis em todo o mundo.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.