Reforma tributária expõe falhas na automação fiscal das empresas brasileiras
A aproximação da implantação do IVA dual, reforma que transformará o sistema tributário brasileiro, está evidenciando fragilidades importantes nos processos fiscais das empresas. Pesquisa realizada pela V360 com 355 profissionais de médias e grandes companhias revela que 62,2% levam mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal, enquanto 22,3% ultrapassam 30 dias, apontando lentidão que compromete a eficiência operacional.
Apesar de 87% das empresas declararem alto grau de automação fiscal, os dados indicam uma automação parcial, apelidada de “falsa automação”. Isso ocorre porque, apesar da digitalização, muitos processos ainda dependem de validação e ajustes manuais, principalmente no registro das notas fiscais nos sistemas ERP, que são fundamentais para o funcionamento dos departamentos contábeis e financeiros.
O ERP, ferramenta essencial para planejamento e controle empresarial, sofre limitações no ambiente tributário brasileiro devido à necessidade de integrações complexas e validações adicionais. Segundo Izaias Miguel, CEO da V360, o documento fiscal pode entrar automaticamente no sistema, mas ainda requer conferências para garantir a precisão dos dados, o que retrata uma dependência humana que reduz a eficiência e aumenta a chance de erros.
Além disso, o estudo destaca que menos da metade das empresas realiza uma conferência completa das notas fiscais, comparando itens, valores e quantidades com os pedidos de compra. Quase metade faz apenas checagens parciais ou manuais, o que eleva os riscos de pagamentos indevidos, falhas fiscais e perda de controle interno, especialmente em organizações que operam com grande volume de fornecedores.
Com a reforma tributária em fase de testes para 2026 e previsão de implementação plena a partir de 2027, as companhias terão de lidar simultaneamente com regras antigas e novas. O IVA dual, composto pelo IBS e CBS, exigirá que notas fiscais contenham informações detalhadas desses tributos, o que amplia as obrigações acessórias desde já. A Receita Federal já suspendeu multas relacionadas à falta de discriminação desses tributos nas notas fiscais até alguns meses após a regulamentação, sinalizando o desafio de adaptação.
Diante desse cenário, a automação fiscal deixa de ser apenas uma questão operacional para se tornar estratégica. Empresas com processos integrados e eficientes estarão mais preparadas para responder às mudanças, enquanto aquelas com estruturas fragmentadas poderão enfrentar custos elevados, riscos de erros e dificuldades na implementação das novas regras.
O futuro próximo imporá pressão para que as companhias aprimorem suas operações fiscais e invistam em tecnologias capazes de garantir rapidez, precisão e conformidade. A capacidade de adaptação será determinante para o sucesso no novo modelo tributário, refletindo diretamente na competitividade e sustentabilidade dos negócios no Brasil.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.