Projeto Raízes Agroecológicas avança com corredores agroecológicos no Brasil
O Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) acaba de iniciar uma nova fase de implementação no Brasil, centrando esforços na formação de corredores agroecológicos e na realização de diagnósticos participativos para fortalecer a conservação de sementes crioulas. A iniciativa, que abrange também a Argentina e a Bolívia, é apoiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pela União Europeia, com um investimento de 4 milhões de euros.
Com a proposta de impactar diretamente 5 mil famílias agricultoras, sendo 2.600 somente no Brasil, o projeto abrange 15 municípios do Semiárido nos estados de Sergipe e Bahia. Ele busca valorizar o trabalho ancestral dos guardiões de sementes, integrando organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa para promover a agrobiodiversidade e a autonomia produtiva das comunidades rurais, especialmente em tempos de mudanças climáticas.
Uma das estratégias centrais do projeto é a implementação de corredores agroecológicos, que funcionam como espaços de aprendizagem e experimentação. Esses corredores, que totalizarão 44 (26 na Bahia e 18 em Sergipe), organizam cultivos em faixas intercaladas, combinando espécies alimentares e plantas de adubação verde, como crotalária e feijão guandu, garantindo a fertilidade do solo e ajudando no manejo de pragas.
Entre os dias 12 e 15 de maio, cerca de 50 pessoas, incluindo agricultores e representantes de movimentos sociais, participaram de oficinas sobre agrobiodiversidade nos municípios de Aracaju, Itabaianinha e Riachão do Dantas. As formações, conduzidas pela Embrapa em parceria com organizações locais, visam fortalecer a troca de conhecimentos e práticas entre as equipes envolvidas.
Os corredores agroecológicos são vistos como polos de referência para a seleção e recuperação de variedades locais que vêm se perdendo com o tempo. Além disso, as oficinas incluíram visitas à agroindústria comunitária de flocão de milho crioulo, que está em fase de finalização em Riachão do Dantas, e à futura Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS), que ampliará o uso da produção local, incluindo a ração animal.
A experiência demonstrada nas oficinas e na implementação dos corredores evidencia não apenas a importância de tecnologias adaptadas à agricultura familiar, mas também a valorização cultural e econômica das sementes crioulas. Com isso, o projeto promove uma conexão entre a produção agrícola e o acesso a alimentos saudáveis, fortalecendo as comunidades e a cultura local.
Com mais de 40 anos de atuação no Brasil, o FIDA se destaca como um parceiro fundamental no apoio à agricultura familiar, especialmente no Nordeste, já tendo beneficiado mais de 1 milhão de pessoas. Até 2030, o Fundo planeja alcançar mais 1 milhão, aumentando a eficácia de suas ações em desenvolvimento rural sustentável.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.