Presidente do Banco Central defende atuação técnica no caso Banco Master
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma orientação clara para conduzir a investigação do Banco Master de forma técnica e sem exageros. Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, Galípolo explicou que a autonomia para apurar e agir contra qualquer irregularidade foi garantida pelo chefe do Executivo.
Em dezembro de 2024, pouco antes de assumir o comando do Banco Central, Galípolo participou de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir os problemas enfrentados pelo Banco Master. Na ocasião, estavam presentes o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, o ex-sócio Augusto Lima, ministros e o próprio presidente Lula. Durante o encontro, Vorcaro alegou que o banco sofria resistência do mercado financeiro por gerar concorrência, tese que Galípolo considerou pouco consistente.
O presidente do BC destacou que Lula foi enfático ao afirmar que o caso era de responsabilidade do Banco Central, reforçando que Galípolo teria total liberdade para tomar as medidas necessárias de forma técnica e independente. Desde então, Galípolo não retornou ao Planalto para tratar do tema, nem discutiu o assunto com outros ministros ou autoridades do Supremo Tribunal Federal.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, que enfrentava grave crise de liquidez. Na data, o banco possuía apenas 10% do valor necessário para honrar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que venciam. O crescimento acelerado do Master, que oferecia rentabilidades muito acima da média do mercado, expôs o banco a riscos elevados e práticas que inflavam artificialmente seu balanço enquanto a liquidez real se deteriorava.
A intervenção do Banco Central buscou preservar a estabilidade do sistema financeiro e proteger os investidores. O caso demonstra a importância da atuação técnica e independente das instituições regulatórias para evitar riscos sistêmicos. Os próximos passos da investigação devem focar na análise das operações do banco e nas responsabilidades dos envolvidos, com impacto direto na regulação do setor financeiro.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.