Polícia Científica de MS Capacita Servidores para Atendimento Humanizado
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul está promovendo uma importante capacitação para seus servidores, com foco no atendimento humanizado a vítimas de violência. Em parceria com a Escolagov, a formação já alcançou mais de 50% dos profissionais, que incluem peritos médico-legistas e agentes da Polícia Científica, em um curso que totaliza 20 horas de conteúdo oferecido na modalidade a distância.
O curso, intitulado "Atendimento Humanizado em Contextos de Violência e Vulnerabilidade para o Servidor Público", tem como objetivo preparar os servidores para acolher pessoas que podem estar enfrentando situações extremamente delicadas, como agressões, perdas familiares ou o desaparecimento de entes queridos. O coordenador de divisão do IMOL, Adalberto Arão Filho, destaca que a forma como a pessoa é recebida pode impactar diretamente a qualidade das informações obtidas durante o atendimento.
Embora a medicina legal seja frequentemente associada a análises de mortes violentas, a realidade é que a maioria dos atendimentos envolve pessoas vivas, vítimas de lesões e violência. O acolhimento, segundo Arão Filho, não compromete a imparcialidade, mas sim qualifica a prova, contribuindo para uma escuta mais eficaz e respeitosa. Esse cuidado é essencial para evitar a revitimização e garantir que as vítimas se sintam seguras ao relatar suas experiências.
A coordenadoria da Polícia Científica, sob a liderança de Nelson Fermino Junior, ressalta que o trabalho da instituição vai além da elaboração de laudos. A atenção aos aspectos humanos do atendimento é parte integrante do processo, que exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade e integração com a rede de proteção às vítimas.
Além da capacitação, a Polícia Científica já implementa diversas iniciativas em Mato Grosso do Sul para garantir um atendimento mais humanizado. Em Campo Grande, por exemplo, na Casa da Mulher Brasileira, as vítimas de violência podem realizar exames médico-legais no mesmo local onde recebem outros serviços, evitando deslocamentos desnecessários. Em Dourados, o Projeto Acalento combina cuidados de saúde com procedimentos periciais, enquanto em Amambai, a Sala Lilás oferece um ambiente reservado e acolhedor para mulheres vítimas de violência.
Outra ação importante foi a criação do Procedimento Operacional Padrão (POP) de Acolhimento e Cadastro de Pessoas Desaparecidas, que orienta os servidores a tratar com respeito e atenção as famílias que buscam informações sobre entes desaparecidos.
A formação contínua oferecida pela Escolagov é fundamental para garantir que os servidores estejam sempre atualizados e preparados para lidar com as complexidades do atendimento a vítimas. Os módulos do curso abordam temas como direitos humanos, escuta qualificada e inteligência emocional, proporcionando uma base sólida para que os profissionais possam oferecer um serviço de qualidade e empatia.
A capacitação continuará disponível na plataforma da Escolagov, permitindo que todos os servidores tenham acesso a essa formação essencial, independentemente da sua localização ou horário disponível, reforçando o compromisso da Polícia Científica com um atendimento humanizado e eficaz.
