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Crédito da imagem: © Eusébio Gomes/TV Brasil

PF não conseguiu periciar vídeos da Operação Contenção no RJ

Polícia Federal informa STF que acesso limitado a arquivos em nuvem inviabilizou perícias em ação contra facção

Desafios na fiscalização policial

A dificuldade em acessar e analisar vídeos de operações policiais compromete a transparência e a fiscalização das ações em áreas vulneráveis, impactando a confiança da população e a responsabilização por eventuais abusos. Essa situação evidencia a necessidade de aprimorar os mecanismos técnicos e legais para garantir o controle efetivo das intervenções policiais, protegendo direitos e promovendo a segurança pública de forma adequada.
Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil
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A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), segunda-feira (24), que não conseguiu periciar os vídeos da Operação Contenção, enviados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Foram disponibilizados 945 arquivos apenas em nuvem, inviabilizando as perícias, de acordo com ofício enviado à Corte.

Deflagrada em outubro de 2025, a Operação Contenção, contra a facção Comando Vermelho, deixou 122 mortos. Uma parte dos corpos foi abandonada em área de mata no Complexo da Penha, na zona norte da cidade, e enfileirados em uma das principais vias da Vila Cruzeiro após o resgate. No dia, as famílias e agentes comunitários denunciaram sinais de execução

Os vídeos das câmeras corporais usados por agentes da Polícia Civil foram solicitados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, chamada ADPF das Favelas.

O procedimento buscou impor limites à atuação policial em favelas, devido à alta letalidade nessas ocasiões. Entre as medidas determinadas pelos juízes, estava a obrigatoriedade de preservar cenas de crimes (mortes),  além da instalação de câmeras nas viaturas. O uso do equipamento nas fardas já era obrigatório.

No entanto, apesar da determinação do STF, a Polícia Civil disponibilizou apenas o acesso à reprodução direta dos 945 vídeos.

"Como o download não se encontrava ativo, restou inviabilizada a extração dos arquivos para fins de preservação, análise de viabilidade técnica e eventual realização de perícia", reclamou o diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, em ofício ao STF. Ele pediu o acesso ao material em mídia física.

A Polícia Civil disse que menos da metade dos agentes utilizou as câmeras corporais na operação devido a falhas técnicas nos equipamentos. Entre o material solicitado, acredita-se que estejam registros audiovisuais das necropsias dos mortos, a pedido da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Procurada pela Agência Brasil, a corporação não comentou o ofício da Polícia Federal e não informou quando disponibilizará o material.

Investigação

Após a operação nos Complexos da Penha e do Alemão, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram o cumprimento das regras estabelecidas pela ADPF. As denúncias ganharam força após seis policiais serem denunciados à Auditoria de Justiça Militar pelos crimes de peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e recusa de obediência a ordem superior.

Segundo as investigações, os policiais arrombaram casas, ingressam em imóveis sem necessidade e autorização, reviraram cômodos e constrangeram moradores sob ameaça. Pela análise de imagens corporais, o Ministério Público Estadual, autor da ação, identificou o roubo de um aparelho celular e de um fuzil abandonado por criminoso em fuga.

Também foram identificadas tentativas reiteradas de ocultar ou obstruir as câmeras presas às fardas, o que não é permitido.

Resumo da Notícia

A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a impossibilidade de analisar os vídeos da Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2025 e que resultou em 122 mortes. Os arquivos, disponibilizados pela Polícia Civil apenas em nuvem sem opção de download, dificultaram a extração e perícia dos registros, solicitados no contexto da ADPF das Favelas para garantir transparência e controle das ações policiais. A Polícia Civil também relatou falhas técnicas no uso das câmeras corporais durante a operação. Investigações posteriores apontaram irregularidades cometidas por policiais, incluindo arrombamentos e roubo de bens, além de tentativas de impedir a gravação das ações. O episódio destaca desafios na fiscalização de operações policiais em favelas e a busca por mecanismos que assegurem direitos e o cumprimento de normas estabelecidas pela Justiça.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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