Parque da Serrinha do Paranoá não protege área usada para salvar BRB, diz associação
O governo do Distrito Federal oficializou a criação do Parque da Serrinha do Paranoá com 65,9 hectares, mas essa área não inclui a gleba de 716 hectares destinada a garantir empréstimos para salvar o Banco de Brasília (BRB). A Associação Preserva Serrinha, que acompanha a situação, alerta que a área maior permanece sem proteção, o que pode resultar em impactos ambientais graves na região.
Localizada entre as regiões do Varjão e do Paranoá, a gleba em questão é parte de um extenso trecho de Cerrado nativo, que abriga 119 nascentes importantes para o abastecimento do Lago Paranoá, manancial estratégico para a população do Distrito Federal. A diretora da associação, Lúcia Mendes, destacou que a área protegida oficialmente é pequena e não se sobrepõe à gleba usada como garantia para o banco, deixando vulnerável a base de recarga hídrica e a vegetação nativa do Cerrado.
O parque foi criado com o objetivo declarado de preservar recursos ambientais relevantes e permitir atividades como pesquisa, educação ambiental e turismo ecológico. O governo afirma que a unidade inclui áreas estratégicas para a conservação hídrica, como a cachoeira do córrego Urubu, mas não esclareceu a ausência da gleba maior dentro da proteção ambiental.
A decisão de usar a gleba para capitalizar o BRB foi tomada pelo ex-governador Ibaneis Rocha e mantida pelo atual governo de Celina Leão. A medida enfrenta resistência de ambientalistas, pesquisadores e moradores, que questionam o impacto da possível expansão urbana em uma área crucial para a sustentabilidade do Cerrado e para o abastecimento hídrico.
Além das manifestações públicas, a situação é alvo de ações judiciais que contestam a venda da gleba para fins imobiliários, com decisões que ora impedem, ora autorizam o uso do imóvel. Enquanto isso, o Conselho Deliberativo da Área de Preservação Ambiental do Planalto Central defende a criação de uma unidade de conservação integral para proteger toda a gleba, ressaltando os riscos ecológicos apontados no zoneamento do Distrito Federal.
A continuidade dessa disputa tem implicações diretas para a conservação ambiental e o equilíbrio hídrico da capital federal. O desdobramento das ações legais e as decisões políticas futuras serão determinantes para o destino da região e para a mitigação dos impactos ambientais decorrentes da crise financeira do BRB.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.