Agropecuária América do Sul
Crédito da imagem: Legenda: Representantes governamentais da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela participam do seminário “Desafios e soluções diante das mudanças climáticas: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”, em 11 e 12 de março de 2026, em Brasília - DF. Foto: © FAO/Palova Brito.

Países da América do Sul unem forças para garantir alimentos diante da crise climática

Nove países sul-americanos avançam em estratégias conjuntas para fortalecer sistemas de abastecimento alimentar e enfrentar mudanças climáticas.

Fortalecimento da Segurança Alimentar

A cooperação entre países sul-americanos para aprimorar sistemas agroalimentares é fundamental para mitigar riscos causados por mudanças climáticas e crises econômicas. A implementação de estoques estratégicos e a melhoria na gestão de informações podem garantir o abastecimento contínuo, protegendo a população urbana e rural contra oscilações de preços e falta de alimentos. Essa iniciativa contribui para a estabilidade social e econômica na região, promovendo maior resiliência diante de desafios ambientais e aumentando a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Representantes de nove países da América do Sul, juntamente com a FAO, participaram do seminário da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) para trocar experiências sobre políticas públicas que fortaleçam a resiliência dos sistemas agroalimentares.

Representantes governamentais da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela participam do seminário “Desafios e soluções diante das mudanças climáticas: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”, em 16 de março de 2026, em Brasília - DF.
Legenda: Representantes governamentais da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela participam do seminário “Desafios e soluções diante das mudanças climáticas: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”, em 11 e 12 de março de 2026, em Brasília - DF.
Foto: © FAO/Palova Brito.

Nove países da América do Sul que integram a Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) avançaram na proposta de um plano de trabalho conjunto sub-regional para melhorar a capacidade de resposta dos países frente a fenômenos climáticos extremos, crises de abastecimento e pressões inflacionárias.

Na região da América Latina e do Caribe, o aumento da frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos — como secas, inundações e ondas de calor — está afetando a produtividade agrícola e gerando maior pressão sobre os sistemas de abastecimento de alimentos. Esses impactos se somam a processos de urbanização acelerada que, sem um planejamento adequado, degradam os solos, reduzem a biodiversidade e fragmentam ecossistemas essenciais para a produção de alimentos.

Para responder a esse cenário, o plano prevê três linhas de ação: 

  1. o desenho de uma estratégia de estoques estratégicos de grãos básicos e o fortalecimento dos mecanismos de resposta e de gestão frente aos riscos climáticos e inflacionários;
  2. a gestão da informação agropecuária e o fortalecimento dos circuitos curtos urbano-rurais;
  3. e a cooperação regional e o intercâmbio de boas práticas.

Representantes governamentais da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela participaram, na cidade de Brasília, do seminário “Desafios e soluções diante da mudança climática: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”. O encontro teve como objetivo promover o diálogo, o intercâmbio de experiências e a elaboração de um plano de trabalho no âmbito da Rede SPAA, voltado ao fortalecimento da cooperação regional frente aos crescentes desafios climáticos.

Atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades e estima-se que, até 2050, esse número chegue a 70%, acrescentando mais de 3,5 bilhões de pessoas às áreas urbanas, o que aumentará ainda mais a demanda por alimentos nessas regiões. Além disso, aproximadamente 80% da energia mundial é consumida nessas áreas, onde os habitantes utilizam 70% dos alimentos e geram 60% das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

O encontro foi organizado com o apoio do Governo do Brasil, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), como parte das ações do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO para fortalecer as políticas públicas de abastecimento de alimentos na região.

A Rede SPAA, composta por instituições governamentais de 19 países da região, é uma plataforma regional que, desde sua criação, promove o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas públicas voltadas a melhorar os sistemas de abastecimento e comercialização de alimentos.

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Paulo Teixeira, lembrou que o país, por meio da CONAB, foi uma das quatro instituições fundadoras da Rede SPAA em 2014, junto com Bolívia, México e Chile. “Ao assumir novamente a presidência da rede, o Brasil reafirma seu compromisso com o fortalecimento da cooperação regional em torno das políticas de abastecimento de alimentos”, afirmou o ministro, destacando também a importância da articulação intersetorial e da participação social para “garantir a segurança alimentar e nutricional, fortalecer o abastecimento de alimentos e promover uma alimentação saudável”.

Por sua vez, o presidente da CONAB, Edegar Pretto, instituição que exerce a presidência pro tempore da Rede SPAA, enfatizou que fenômenos como secas prolongadas, inundações e outros eventos climáticos extremos já afetam diretamente a produção agrícola e as cadeias de abastecimento, colocando em risco a segurança alimentar de milhões de pessoas. Nesse contexto, destacou que fortalecer as instituições públicas de abastecimento torna-se uma agenda estratégica para garantir alimentos, estabilizar preços e proteger a renda dos produtores.

O analista de projetos da ABC/MRE, João Clementino, ressaltou o papel da Rede SPAA como um espaço estratégico para o diálogo técnico e a construção conjunta de soluções. “O intercâmbio de conhecimentos e boas práticas entre os países permite aprimorar as políticas públicas, fortalecer as capacidades institucionais e promover respostas mais coordenadas diante de desafios cada vez mais complexos”, afirmou.

O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, destacou que a mudança climática se tornou um dos fatores que mais influenciam os sistemas agroalimentares, não apenas do ponto de vista da produção, mas também do consumo, ao modificar as dinâmicas dos mercados e os hábitos alimentares.

Por sua vez, a diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Patrícia Gentil, ressaltou que os desafios atuais não se limitam à produção de alimentos, mas abrangem todo o sistema alimentar, desde a produção e distribuição até o acesso e o consumo, especialmente de alimentos saudáveis. A diretora também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas cidades da região. No Brasil, mais de 87% da população vive em áreas urbanas, onde persistem importantes desigualdades no acesso e na disponibilidade de alimentos seguros e saudáveis.

Plano de trabalho para a América do Sul

Entre as ações previstas durante o seminário está a realização de diagnósticos sobre os programas existentes de formação de estoques e gestão de reservas estratégicas, bem como o intercâmbio de assistência técnica entre os membros da Rede SPAA para fortalecer mecanismos que contribuam para estabilizar os preços dos alimentos e evitar desabastecimentos.

O plano, com foco na América do Sul, também propõe fortalecer a gestão da informação agropecuária e os circuitos curtos de comercialização entre áreas rurais e urbanas, por meio da ampliação de plataformas digitais que integrem dados sobre plantio, colheitas, previsões e monitoramento climático, preços e disponibilidade de alimentos. Essas ferramentas permitirão melhorar o monitoramento da oferta e da demanda de alimentos e facilitar a tomada de decisões pelas instituições públicas.

Além disso, prevê-se o reforço de programas públicos de abastecimento e comercialização de alimentos, como feiras de produtores, mercados tradicionais, compras públicas e outras iniciativas que promovem a participação da agricultura familiar e facilitam o acesso da população urbana a alimentos frescos e saudáveis.

Entre as ações de cooperação regional e intercâmbio de boas práticas estão a realização de seminários e oficinas entre os países membros, a criação de um banco regional de experiências exitosas e o estabelecimento de mecanismos conjuntos de monitoramento e avaliação que permitam medir os avanços em resiliência climática e segurança alimentar.

Para mais informações, acesse: 

Contato para a a imprensa: 

  • Palova Brito, Comunicadora do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: [email protected]  

Resumo da Notícia

Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, nove países da América do Sul, em conjunto com a FAO, promoveram um seminário em Brasília para discutir políticas públicas que reforcem a resiliência dos sistemas agroalimentares. O encontro, que contou com representantes da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, resultou na proposta de um plano regional focado em estoques estratégicos, melhoria da gestão de informações agropecuárias e o fortalecimento de circuitos curtos entre áreas urbanas e rurais. O objetivo é garantir a segurança alimentar frente a eventos climáticos extremos, crises de abastecimento e pressões inflacionárias. A iniciativa destaca a importância da cooperação regional e do intercâmbio de boas práticas para proteger a produção e o acesso a alimentos saudáveis, especialmente nas áreas urbanas que concentram grande parte da população. Essa ação reforça o compromisso dos países sul-americanos em promover sistemas alimentares mais sustentáveis e adaptados aos impactos ambientais atuais.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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