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Crédito da imagem: Legenda: A vereadora Marielle Franco discursa em Sessão Ordinária da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, realizada em 16 de fevereiro de 2017. Foto: © Renan Olaz/CMRJ.

ONU exige justiça no julgamento dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes

Especialistas da ONU destacam a importância da responsabilização no caso que marca luta contra o racismo e a violência no Brasil

Importância do julgamento Marielle Franco

O julgamento representa um passo fundamental para combater a impunidade em crimes motivados por racismo e discriminação, impactando diretamente a proteção de direitos humanos no Brasil. A transparência e responsabilização completa são essenciais para fortalecer a confiança nas instituições e prevenir futuras violações contra grupos vulneráveis, promovendo avanços sociais e justiça equitativa.

Em declaração conjunta emitida nesta segunda (23), dezesseis especialistas independentes, relatores especiais e grupos de trabalho das Nações Unidas pediram justiça e reparação para todas as vítimas do persistente racismo sistêmico, da discriminação estrutural e da violência no Brasil. 

O julgamento dos supostos mentores dos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, está prestes a começar no Supremo Tribunal Federal. 

A vereadora Marielle Franco discursa em Sessão Ordinária da Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 2017.
Legenda: A vereadora Marielle Franco discursa em Sessão Ordinária da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, realizada em 16 de fevereiro de 2017.
Foto: © Renan Olaz/CMRJ.

Especialistas da ONU pediram hoje justiça e reparação para todas as vítimas do persistente racismo sistêmico, da discriminação estrutural e da violência no Brasil, uma vez que o julgamento dos supostos mentores dos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, está prestes a começar no Supremo Tribunal Federal. 

“Ao chegarmos a esta etapa tão esperada do processo judicial é vital que a equidade e a transparência sejam mantidas e que a justiça plena prevaleça”, afirmaram os especialistas em declaração conjunta emitida nesta segunda-feira (23/02), em Genebra. 

“O julgamento representa não apenas o capítulo final da luta por justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes mas, também, um marco importante no combate à impunidade estrutural do racismo, da discriminação interseccional e da violência contra defensores dos direitos humanos, mulheres, pessoas afrodescendentes e LGBTIQ+ no Brasil.” 

Os assassinatos brutais de Marielle Franco e Anderson Gomes em 2018 chocaram o Brasil e a comunidade internacional. Marielle Franco era uma defensora dos direitos humanos que se manifestava contra o racismo sistêmico, a discriminação estrutural e a brutalidade policial no Brasil. Ela era vítima de discriminação interseccional, especificamente a intersecção entre racismo, classismo, misoginia e preconceito com base na orientação sexual. 

Apesar da natureza chocante dos assassinatos, o caminho para a justiça tem sido longo e árduo para as famílias das vítimas. A liderança das investigações sobre os assassinatos mudou várias vezes e informações vazaram para a imprensa.

“O fato de ter levado oito anos para chegar a esta fase final do processo judicial é, por si só, chocante”, afirmaram os especialistas. 

Em 2024, os especialistas saudaram as condenações de alguns dos autores dos assassinatos, mas salientaram, na altura, que essas condenações não marcavam o fim da luta pela justiça para Marielle Franco e Andreson Gomes. 

“Para garantir justiça plena, responsabilização e não repetição da violência, os envolvidos no planejamento e encobrimento dos assassinatos devem ser responsabilizados”, afirmaram.

Os especialistas comunicaram suas preocupações ao Brasil.

Ato pede Justiça por Marielle e Anderson em frente ao Tribunal de Justiça, no centro do Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 2024.
Legenda: Ato pede Justiça por Marielle e Anderson em frente ao Tribunal de Justiça, no centro do Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 2024.
Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil.

NOTAS PARA EDITORES: 

Os especialistas das Nações Unidas que assinam a declaração são: 

Os relatores especiais/especialistas independentes/grupos de trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, esses especialistas são referidos como os Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos

Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. Embora o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. 

Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.

Lançamento da fotobiografia que conta a trajetória de Marielle Franco, no Centro de Artes da Maré, em 27 de julho de 2023.
Legenda: Lançamento da fotobiografia que conta a trajetória de Marielle Franco, no Centro de Artes da Maré, em 27 de julho de 2023.
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil.

Para mais informações: 

  • Acompanhe as notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.
  • Acesse a página da ONU Direitos Humanos para o Brasil.
  • Observações e recomendações específicas, por país, dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos

Resumo da Notícia

Com o início do julgamento dos supostos mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes no Supremo Tribunal Federal, especialistas independentes da ONU reforçam a necessidade de justiça e reparação no Brasil. A vereadora e seu motorista foram vítimas de violência ligada a racismo estrutural, discriminação e perseguição contra defensores dos direitos humanos. Em uma declaração conjunta, os especialistas pedem transparência e equidade no processo, ressaltando que esse momento é crucial para enfrentar a impunidade e garantir responsabilização completa, incluindo aqueles envolvidos no planejamento e ocultação dos crimes. O caso simboliza uma luta maior contra a discriminação interseccional e a violência contra mulheres, pessoas afrodescendentes e comunidades LGBTIQ+. Essa pressão internacional enfatiza a urgência de um desfecho que promova a justiça e previna futuras violações de direitos humanos no país.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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