OIT: Riscos psicossociais no trabalho causam 840 mil mortes anuais
Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado nesta quarta-feira (22), revela que mais de 840 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de problemas de saúde associados a riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Essas situações incluem longas jornadas, insegurança no emprego e assédio, que têm ligação direta com doenças graves, como doenças cardiovasculares e transtornos mentais, incluindo o suicídio.
A pesquisa, que faz parte das preparações para o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho em 2026, destaca que os riscos psicossociais geram, anualmente, perdas econômicas estimadas em 1,37% do PIB global. O relatório, intitulado “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação”, analisa como a maneira como o trabalho é organizado e gerido afeta a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
Os riscos psicossociais estão relacionados a fatores como a carga de trabalho excessiva, a falta de controle sobre as atividades diárias, o bullying e o assédio. O documento enfatiza que esses problemas podem criar ambientes de trabalho prejudiciais se não forem adequadamente tratados, resultando em um impacto significativo na qualidade de vida dos trabalhadores.
Para entender melhor os riscos psicossociais, o relatório define três níveis inter-relacionados que compõem o ambiente de trabalho. O primeiro é a própria natureza do trabalho, que envolve as exigências e responsabilidades atribuídas aos colaboradores. O segundo nível refere-se à organização e gestão do trabalho, que inclui a clareza nos papéis e a autonomia dos funcionários. Por fim, o terceiro nível abrange as políticas e práticas mais amplas que regem as relações de trabalho, como a gestão de mudanças e os mecanismos de segurança e saúde.
A OIT alerta que, embora muitos desses riscos não sejam novos, as transformações recentes no mercado de trabalho — como a digitalização e a inteligência artificial — podem intensificar os problemas existentes ou gerar novos riscos. Portanto, ações proativas são necessárias para mitigar esses desafios.
Manal Azzi, líder da equipe de Políticas e Sistemas de Segurança e Saúde no Trabalho da OIT, ressalta que a melhoria do ambiente de trabalho psicossocial é crucial não apenas para proteger a saúde dos trabalhadores, mas também para promover a produtividade e o desenvolvimento econômico sustentável.
A estimativa de 840 mil mortes anuais se baseia em dados sobre a prevalência de cinco fatores de risco psicossociais e pesquisas científicas que mostram a relação entre esses riscos e condições de saúde graves. A OIT aplicou essas informações aos dados globais de mortalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do estudo Global Burden of Disease (GBD), permitindo quantificar tanto o impacto humano quanto econômico dos riscos psicossociais.
Diante desse cenário, o relatório conclui que é fundamental integrar a gestão dos riscos psicossociais aos sistemas de segurança e saúde no trabalho, fortalecendo o diálogo social entre governos, empregadores e trabalhadores. Essa abordagem pode contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos, refletindo em benefícios para toda a sociedade.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.