Ministro confirma R$ 53 milhões para super poços em reserva indígena de Dourados
O Ministério dos Povos Indígenas assegurou a disponibilidade de R$ 53 milhões para a implantação de um sistema de abastecimento de água na maior reserva indígena urbana do Brasil, localizada em Dourados, Mato Grosso do Sul. Essa reserva abrange as aldeias Bororó e Jaguapiru, que juntas reúnem cerca de 20 mil indígenas pertencentes aos povos Guarani Nhandeva, Guarani Kaiowá e Terena.
A carência de água potável na região já dura mais de cinco anos, agravada recentemente por um surto de chikungunya que teve impacto severo entre as comunidades indígenas locais. Segundo dados do Ministério da Saúde, até o início de setembro, Dourados registrava mais de três mil notificações da doença, com a maioria dos casos confirmados entre indígenas.
Assumindo o ministério, Eloy Terena priorizou a assinatura da ordem de serviço para o início das obras que viabilizarão a perfuração de dois super poços com sistema de distribuição integrado às aldeias. O ministro também ressaltou o compromisso de estabelecer uma instância de governança com lideranças indígenas, garantindo o acompanhamento semanal da aplicação dos recursos federais e estaduais destinados ao projeto.
A execução da obra ficará a cargo da Sanesul, empresa estadual de saneamento, que já possui o projeto em análise pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo repasse dos recursos. A etapa de perfuração dos poços está em processo de cadastramento junto à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), com previsão de início das atividades ainda neste semestre. Os editais para contratação das próximas fases serão publicados logo após a liberação dos fundos pela Caixa, e a conclusão do sistema está estimada em até dois anos.
Enquanto o sistema definitivo não é implantado, as comunidades contam com o abastecimento provisório por meio de 15 poços emergenciais, equipados com caixas d’água, bombas e painéis solares, instalados em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). O projeto dos super poços representa uma solução estrutural para o problema crônico de falta de água, proporcionando segurança hídrica e melhorias substanciais na saúde e no bem-estar das populações indígenas da reserva.
O acompanhamento próximo das lideranças indígenas e a transparência na gestão dos recursos serão fundamentais para o sucesso da iniciativa, que também integra medidas de combate à epidemia de chikungunya. O avanço na infraestrutura hídrica da reserva de Dourados simboliza um passo decisivo na garantia dos direitos básicos dessas comunidades, com impacto direto sobre a qualidade de vida e a preservação cultural dos povos originários do Mato Grosso do Sul.
Resumo da Notícia
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