Ministra Cármen Lúcia revela pressão para deixar STF por ataques machistas
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, revelou que recebe aconselhamentos para renunciar ao cargo devido aos ataques machistas que enfrenta diariamente. A fala aconteceu durante uma palestra sobre liderança pública promovida pelo Instituto FHC, em São Paulo.
Ela destacou que a pressão não vem apenas do público, mas também de seus familiares, que temem pela sua segurança e bem-estar diante das ofensas sexistas e ameaças constantes. "Para nós mulheres, a dificuldade é ainda maior, porque os ataques vão além da crítica administrativa e se tornam sexistas e desmoralizantes", afirmou.
A ministra comentou que o clima de hostilidade contra os membros do STF pode desestimular futuras nomeações. Segundo ela, algumas pessoas podem recusar a indicação ao Supremo por receio de se tornarem alvos de ataques e ameaças, o que compromete o funcionamento pleno da Corte.
Além de falar sobre os ataques, Cármen Lúcia ressaltou seu compromisso com a transparência e a legalidade em suas decisões. Ela afirmou que age sempre com base na lei, independentemente de pressões externas ou vínculos pessoais, lembrando que já votou contra interesses familiares para garantir a justiça.
No último mês, a ministra foi alvo de uma ameaça de bomba com o objetivo de atingi-la, o que reforça o cenário de violência contra ela. A situação levanta preocupações sobre a segurança e o respeito às autoridades judiciais, especialmente mulheres, em um momento em que o STF enfrenta questionamentos públicos e políticas polarizadas.
Os próximos passos envolvem o fortalecimento da proteção aos magistrados e a reflexão sobre o impacto dessas ameaças na independência do Judiciário, além do combate ao machismo institucional que ainda permeia setores do poder público.
