Mãe atípica transforma artesanato em negócio sustentável em Campo Grande
Nora Souza, uma mãe atípica de 63 anos, encontrou no artesanato sustentável uma nova oportunidade de vida e renda. O que começou como um hobby se transformou em um negócio promissor depois que ela participou de uma oficina gratuita do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) no Centro Comunitário do Bairro Buriti em Campo Grande.
As oficinas do FAC têm como objetivo capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade social, promovendo a autonomia financeira através da economia criativa e circular. Desde o início do programa, mais de 300 pessoas já participaram e aprenderam a reaproveitar materiais para criar peças artesanais que podem ser comercializadas.
A presidente do FAC, Adir Diniz, ressalta a importância dessas iniciativas. "Todo mundo é capaz de produzir alguma coisa, seja na culinária ou no artesanato. Só precisa ser estimulado e motivado a descobrir sua capacidade", comenta. As aulas são ministradas pela professora Maria do Carmo, que traz mais de 25 anos de experiência no setor e ensina técnicas de bordado, costura e conceitos de empreendedorismo.
Nora, que chegou sem experiência, logo viu seu potencial florescer. Ela começou a produzir angels de times de futebol, que rapidamente conquistaram um público fiel. "Eu já vendi e tenho encomendas das angels de time. Levei uma do Corinthians e fez sucesso na Associação de Mães de Pessoas com Deficiência (Amade). Tenho encomendas do Palmeiras, São Paulo e Flamengo", revela.
Com as vendas, Nora consegue complementar o orçamento familiar, especialmente para cuidar de seu filho autista. A transformação que ela vivenciou é um exemplo do impacto positivo que o FAC tem na vida de seus alunos. "O objetivo é fazer com que elas se capacitem e se descubram. Elas se surpreendem com suas próprias habilidades", destaca Maria do Carmo.
Além de fomentar o empreendedorismo, as oficinas promovem práticas sustentáveis, ensinando os participantes a reaproveitar materiais que, de outra forma, seriam descartados. Roupas velhas, embalagens e outros itens podem se transformar em novas criações, alinhando-se aos princípios da economia circular.
Em Campo Grande, a economia criativa está se tornando uma importante ferramenta de desenvolvimento econômico. Feiras e eventos voltados para o setor têm surgido, proporcionando visibilidade aos produtos e ajudando na comercialização. As oficinas do FAC desempenham um papel fundamental ao unir capacitação, consciência ambiental e oportunidades de geração de renda, permitindo que os participantes descubram novas habilidades e transformem suas vidas.
