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Crédito da imagem: © Joédson Alves/Agência Brasil

Justiça suspende uso de imóveis públicos para capitalização do BRB

Decisão judicial proíbe garantia de terrenos do DF na tentativa de reforçar o capital do Banco Regional de Brasília

Impactos da suspensão dos terrenos do BRB

A decisão judicial de suspender o uso de terrenos públicos como garantia para o Banco Regional de Brasília afeta diretamente a gestão dos recursos públicos e a segurança jurídica dos investimentos locais. Além de proteger áreas ambientalmente sensíveis, a medida reforça a necessidade de transparência e controle sobre operações financeiras envolvendo patrimônio público, prevenindo riscos econômicos para a população e fortalecendo a fiscalização em casos de irregularidades institucionais.
Brasília (DF), 19/11/2025 – Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB).  Em março de 2025, o conselho do Banco BRB aprovou a compra de 58% do capital do Banco Master, valor estimado em R$ 2 bilhões.
O acordo previa que o BRB, uma sociedade de capital e controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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O juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal (DF), concedeu nesta segunda-feira (16) liminar (decisão provisória) para suspender a utilização de terrenos públicos como garantia para a capitalização do Banco Regional de Brasília (BRB). 

O banco passa por uma crise de liquidez após ter comprado cerca de R$ 12 bilhões em títulos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que depois se revelaram fictícios, ou seja, sem lastro em nenhum bem que de fato lhes conferisse valor de mercado. 

O rombo nas contas gerou a necessidade de adicionar recursos ao BRB, cujo principal acionista é o governo do DF. O banco apresentou uma proposta de aumento de capital de até R$ 8,6 bilhões, de modo a atender às exigências regulatórias do setor financeiro. 

Na semana passada, o governador Ibaneis Rocha sancionou uma lei para autorizar uma série de medidas emergenciais para capitalizar o BRB, incluindo a utilização de nove imóveis do GDF como garantia para a captação de R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro. Outra medida autoriza a venda de patrimônio de outras estatais do DF para direcionar recursos ao BRB. 

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Na decisão desta segunda, a Justiça suspendeu a eficácia da lei, afirmando, entre outros argumentos, que ela não esclarece “como tais operações atenderiam o interesse público”. O magistrado responsável afirmou que a decisão sobre instrumentos de capitalização seria “privativa do BRB”, não podendo ter sido tomada por lei distrital. 

"Determino a suspensão imediata de todo e qualquer ato previsto na mesma legislação que esteja em processo de execução, nos termos da fundamentação, até ulterior deliberação deste juízo", escreveu o juiz.

A decisão foi tomada em ação popular aberta por políticos do PSB, que alegaram risco de dano ao patrimônio público.

Críticas

A lei sobre a capitalização do BRB foi aprovada na Câmara Legislativa do DF por 14 votos favoráveis e 10 contrários. Deputados da oposição classificaram o projeto como um possível “cheque em branco” ao governo, argumentando que faltaram informações detalhadas sobre os riscos ao patrimônio público.

Há também preocupação de que imóveis do Distrito Federal possam ser transferidos ao banco e posteriormente negociados no mercado por meio de fundos imobiliários. A lei foi aprovada apesar de recomendação contrária dos técnicos da Câmara Legislativa.

Movimentos ambientalistas também protestam contra a inclusão de uma área de alta relevância ambiental, a Serrinha do Paranoá, entre os terrenos negociados. 

Investigação

A compra dos títulos podres ocorreu em meio às negociações para que o BRB comprasse o Master, transação que foi barrada pelo Banco Central (BC) e que é alvo de investigação pela Polícia Federal (PF). O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Ex-diretores do BRB também são investigados. 

Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, por ordem de Mendonça. O banqueiro é investigado por crimes contra o sistema financeiro. 

Resumo da Notícia

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal suspendeu temporariamente o uso de terrenos públicos como garantia para a capitalização do Banco Regional de Brasília (BRB). A medida ocorre após o banco enfrentar problemas financeiros decorrentes da compra de títulos fictícios do Banco Master, que resultaram em um déficit significativo. A decisão judicial aponta falta de transparência sobre o interesse público e questiona a competência da lei distrital para definir instrumentos de capitalização do banco. A controvérsia envolve ainda preocupações sobre a possível transferência e negociação dos imóveis no mercado financeiro e protestos de grupos ambientalistas devido à inclusão de áreas ambientalmente sensíveis. A situação está vinculada a investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal, envolvendo ex-diretores do BRB e o empresário responsável pelos títulos irregulares.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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