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Crédito da imagem: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Justiça arquiva caso de morte de ambulante senegalês em São Paulo

MP-SP defende legítima defesa de policial em operação no Brás que resultou em disparo fatal

Impactos da decisão judicial

O encerramento da investigação sobre a morte do ambulante senegalês reforça debates sobre o uso da força policial e os direitos de migrantes e trabalhadores informais. A decisão influencia a percepção pública sobre segurança e justiça, além de afetar políticas relacionadas à fiscalização do comércio ambulante e à atuação de policiais de folga, temas sensíveis em grandes centros urbanos como São Paulo.
São Paulo(SP), 14/04/2025 - Manifestação  na praça da República, contra a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, na sexta-feira, morto por um policial militar durante operação delegada no Brás, contra o comércio ambulante. 
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Após encaminhamento de um pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a Justiça paulista decidiu arquivar o processo que investiga a morte do ambulante senegalês e regufiado Ngange Mbaye, morto por um policial militar após uma operação na região do Brás, no centro da capital paulista, em abril do ano passado. A decisão é do juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 1ª Vara do Júri da capital. 

Mbaye foi atingido por um disparo no abdome durante uma abordagem policial enquanto tentava proteger suas mercadorias e também de um outro ambulante. Segundo boletim de ocorrência registrado à época, Ngange teria resistido à apreensão das suas mercadorias e utilizado uma barra de ferro, que acabou atingindo um policial. Logo após, o policial teria atirado contra Mbaye. 

Para o promotor Lucas de Mello Schaefer, o policial que atirou contra Mbaye “agiu em legítima defesa, repelindo a injusta agressão atual a direito seu e de terceiro, quando realizou um disparo de arma de fogo contra Ngagne Mbaye”. 

“Embora Ngagne Mbaye fosse estrangeiro, não parece minimamente razoável, em qualquer lugar do mundo, que uma pessoa em poder de um instrumento contundente, tal como uma barra de ferro, possa agredir outra pessoa desferindo repetidos golpes, com emprego de força, na região da cabeça e do tronco. Quando estes golpes se voltam contra agentes de segurança do Estado, que estão no legítimo exercício de suas funções, esta atitude é ainda mais grave e reprovável”, escreveu o promotor, em sua manifestação encaminhada à Justiça. 

Repercussão

Vídeos que mostraram a abordagem policial e o momento do disparo ganharam as redes sociais, gerando muita repercussão. Houve protestos contra a violência policial e também diversas manifestações, inclusive internacionais. 

Na época, a ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, chegou a pedir explicações ao governo brasileiro sobre a morte do ambulante. Em comunicado à imprensa, ela afirmou que buscaria, junto à representação diplomática, meios “para elucidar as circunstâncias dessa morte trágica”. 

A ONG Horizon Sans Frontières, que acompanha casos de migração e violência, disse que a morte de Mbaye foi “um novo crime cometido contra um cidadão senegalês no Brasil” e chegou a apontar o país como uma “zona de violência endêmica”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania chegou a solicitar para a Corregedoria da Polícia Militar, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que fosse realizada uma “apuração rigorosa dos fatos, com especial atenção às circunstâncias que levaram à morte de Ngange Mbaye, bem como a adoção de medidas que garantam a responsabilização dos envolvidos e a prevenção de futuras ocorrências semelhantes”. 

Entidades do movimento negro também chegaram a denunciar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. 

Operação Delegada

A morte de Mbaye ocorreu durante uma ação da Operação Delegada, um convênio firmado entre a prefeitura paulistana e o governo de São Paulo e que permite a atuação de policiais militares de folga na fiscalização do comércio ambulante. 

Por meio de nota, a Campanha pelo Fim da Operação Delegada, composta por diversas entidades, organizações e movimentos sociais, como o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, repudiou a decisão do Ministério Público em pedir o arquivamento do caso, e que acabou sendo aceito pela Justiça. 

“É com absoluta indignação que as entidades que compõem a Campanha pelo Fim da Operação Delegada repudiam esta decisão, que precisa ser revertida imediatamente”, escreveram. 

Para essas entidades, a execução do imigrante senegalês, que dependia do comércio ambulante para sustentar sua família, “é uma vergonha para o Estado brasileiro”. 

“Amplamente difundido, o vídeo da execução de Ngagne Mbaye não deixa dúvidas da desproporcionalidade da ação da Polícia Militar. Uma sequência de golpes de cassetete são desferidos por diferentes policiais contra Ngagne, que apanha uma barra de metal caída no chão [note-se, não era uma arma que portava, e sim um objeto que encontrou para se defender em momento de desespero]. O ambulante e seus colegas estavam se afastando dos policiais no momento em que o tiro é efetuado. Ainda assim, o MP alega que o assassino usou ‘força estritamente necessária para cessar a agressão, sem excesso’. Não há qualquer racionalidade ou amparo legal que justifique o disparo letal da arma de fogo nesse caso”, afirmam as entidades. 

Resumo da Notícia

O Tribunal de São Paulo decidiu encerrar a investigação sobre a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, ocorrida durante uma abordagem policial no bairro do Brás. O Ministério Público paulista entendeu que o policial que efetuou o disparo agiu em legítima defesa após ser agredido com uma barra de ferro pelo ambulante. O episódio gerou ampla repercussão nacional e internacional, com protestos contra a violência policial e manifestações de entidades de direitos humanos, que contestaram a proporcionalidade da ação. O caso também motivou posicionamentos do governo do Senegal e de organizações que acompanham a violência contra migrantes no Brasil. Movimentos sociais criticaram a decisão judicial e pedem a revisão do arquivamento, alegando que a ação policial foi desproporcional e resultou em uma execução. A morte aconteceu durante uma operação que permite a atuação de policiais militares de folga na fiscalização do comércio ambulante, tema que segue provocando debates sobre segurança pública e direitos humanos na capital paulista.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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