Cidadania Brasil

Jornalista lança livro sobre autobiografias de escravizados nos EUA

Rafael Cardoso explora relatos de Frederick Douglass e William Grimes para analisar o abolicionismo americano

Relevância das Autobiografias Escravizadas

A publicação dessas narrativas pessoais amplia a compreensão histórica das experiências de escravizados, evidenciando as transformações sociais e políticas em contextos de opressão. Para a sociedade atual, esse resgate contribui para debates sobre desigualdade, memória e direitos, ao revelar vozes antes silenciadas e estimular reflexões sobre as consequências duradouras da escravidão.

O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, editora Dialética.

Fruto do mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), a publicação faz o caminho inverso das investigações mais comuns nas ciências sociais: em vez de um brasilianista norte-americano estar pesquisando sobre o Brasil, é um estudioso brasileiro que observa os Estados Unidos.
 

Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 – O jornalista da EBC Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética - Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente não pode limitar o nosso olhar só para o que é mais próximo”, recomenda Cardoso ao explicar o interesse pela escravidão em outro país.

Entre as diferenças que marcam a história do Brasil e dos Estados Unidos, o mestre em história e repórter da Agência Brasil observa a disponibilidade de material de pesquisa: centenas de relatos escritos de pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista do país.

“Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa.

Sem relatos escritos por escravizados, grande maioria analfabeta no Brasil, os historiadores brasileiros recompuseram a história sobre essas pessoas com documentos de cartório, certidões de batismo e fontes gerenciais dos lugares onde eram explorados.

A única exceção no Brasil, lembra Rafael Cardoso, é a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem nascido no atual Benim (1824), que foi levado para o trabalho escravo em Olinda (Pernambuco) e depois revendido para um proprietário no Rio de Janeiro, de onde partiu em navio que levava café para Nova York, onde foi posto em liberdade.

Douglass e Grimes

Cardoso escolheu como personagens da pesquisa dois homens “da segunda ou terceira geração de escravizados nos Estados Unidos”: o líder abolicionista Frederick Douglass (1818-1985), e o barbeiro William Grimes (1784-1865). Ambos publicaram duas autobiografias. Grimes em 1825 e 1855; e Douglass em 1845 e 1855.

No intervalo de 30 anos que existe entre as autobiografias, Rafael Cardoso observa mudanças sociais nos Estados Unidos escravista a partir do que descreveram os dois autores.

Nas experiências individuais, o historiador enxerga como eram os lugares onde viveram, laços familiares, relações sociais, e contexto político – “como tudo isso é capaz de influenciar na vida do sujeito e na forma como ele quer se colocar assim no mundo.”

Para o historiador de cariz marxista-gramsciano, “influências estruturais, econômicas e sociais condicionam nossas escolhas, limitam as nossas escolhas e possibilidades de vida.”

Vivendo do ofício de apurar e reportar pautas sociais e sobre o meio ambiente para a Agência Brasil, Rafael Cardoso diz acreditar que estudar história calibra “a visão crítica e analítica” da realidade – recursos habituais para o seu trabalho como repórter.

Resumo da Notícia

O jornalista e historiador Rafael Cardoso lançou no Rio de Janeiro o livro 'Autobiografias de Escravizados', que traz um olhar diferenciado sobre a escravidão nos Estados Unidos a partir dos relatos em primeira pessoa de escravizados. A obra destaca as experiências de Frederick Douglass e William Grimes, cujas autobiografias revelam mudanças sociais no país entre os séculos XVIII e XIX. Cardoso ressalta a importância desses textos para compreender as dinâmicas familiares, sociais e políticas da época, além de evidenciar as limitações impostas pelas estruturas econômicas e sociais. O estudo também confronta a escassez de narrativas similares no Brasil, onde a maioria dos escravizados era analfabeta, tornando raras as memórias escritas. Com base em sua formação em história e atuação jornalística, o autor enfatiza que revisitar essas histórias ajuda a aprimorar uma visão crítica e analítica sobre questões sociais contemporâneas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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