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Crédito da imagem: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Insegurança alimentar atinge 60% das famílias em favelas brasileiras, revela estudo

Pesquisa destaca fome e obesidade infantil coexistindo em territórios vulneráveis e aponta desafios de acesso a alimentos frescos

Insegurança alimentar atinge 60% das famílias em favelas brasileiras, revela estudo

A insegurança alimentar nas favelas não só afeta a saúde física das famílias, como também aprofunda desigualdades sociais. Com a presença simultânea de fome e obesidade infantil, fica claro que o acesso a alimentos nutritivos é limitado. Entender esses desafios é fundamental para formular políticas que promovam ambientes alimentares justos e sustentáveis.

Um estudo recente do Instituto Desiderata revelou que 60,7% das famílias que vivem em favelas brasileiras enfrentam insegurança alimentar, indicando um problema grave e persistente em comunidades vulneráveis. A pesquisa ouviu 900 domicílios em três territórios: Complexo da Maré e Caramujo, no Rio de Janeiro, e Coque, em Pernambuco, trazendo à tona a complexidade da alimentação nesses locais.

Entre as crianças de 5 a 10 anos, a pesquisa identificou um quadro preocupante: 34,7% apresentam excesso de peso, sendo 21% com sobrepeso e quase 13% com obesidade. Esse fenômeno, conhecido como dupla carga da má nutrição, demonstra a contradição entre a fome e o consumo excessivo de alimentos pouco saudáveis.

O levantamento apontou que os preços elevados dos alimentos frescos são a principal barreira para uma alimentação adequada, com 43% dos moradores afirmando que esses produtos são inacessíveis financeiramente, apesar de disponíveis. Além disso, 33% levam mais de 30 minutos para chegar ao principal ponto de compra de alimentos, e 58% fazem esse trajeto a pé, o que dificulta ainda mais o acesso.

O estudo também evidenciou a forte presença de alimentos ultraprocessados, decorrente da oferta limitada de opções nutritivas nas comunidades, caracterizadas por especialistas como "pântanos alimentares" e "desertos alimentares". Isso reforça a importância de criar ambientes que favoreçam escolhas alimentares saudáveis.

No que se refere à alimentação escolar, o bairro do Coque mostrou que, embora a maioria das crianças esteja matriculada em escolas públicas, apenas 16,33% almoçam na instituição, um dado que levantou questionamentos sobre a qualidade e aceitação da merenda. Já em Caramujo, o acesso físico difícil aos mercados compromete a disponibilidade de alimentos.

Com a maioria dos responsáveis pela alimentação sendo mulheres negras e famílias com cerca de quatro integrantes, a pesquisa ressalta a vulnerabilidade social dessas comunidades. A escola, apesar dos desafios, permanece como espaço estratégico para proteção alimentar, mas é impactada por fatores externos como operações policiais.

Esses resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas focadas na promoção de alimentos frescos e nutritivos nas favelas, garantindo que o direito à alimentação não dependa do endereço residencial. O avanço nessas áreas é fundamental para reduzir desigualdades e melhorar a saúde alimentar das populações mais vulneráveis.

Resumo da Notícia

Mais de 60% das famílias residentes em favelas brasileiras enfrentam algum grau de insegurança alimentar, segundo levantamento do Instituto Desiderata. A pesquisa realizada em comunidades do Rio de Janeiro e Pernambuco evidencia um cenário preocupante, no qual a fome convive com o excesso de peso entre crianças de 5 a 10 anos. Fatores como o alto custo de alimentos frescos, a dependência de estabelecimentos locais com oferta limitada e o difícil acesso físico a mercados contribuem para o consumo crescente de produtos ultraprocessados. Além disso, a baixa adesão à alimentação escolar em algumas regiões, agravada por problemas sociais e operacionais, compromete a proteção alimentar. O estudo reforça a importância de políticas públicas focadas na promoção de ambientes alimentares saudáveis para garantir o direito à alimentação adequada nas favelas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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