Economia Brasil
Crédito da imagem: © Washington Costa/MF

Governo aumenta imposto sobre cigarros para bancar desoneração de combustíveis

Medida visa compensar perda de arrecadação com isenção de tributos sobre querosene e biodiesel

Impacto do aumento do IPI

O ajuste na alíquota do IPI sobre cigarros visa compensar a perda de receita causada por isenções em combustíveis essenciais ao transporte aéreo. Essa medida busca garantir o equilíbrio fiscal em um cenário de alta dos preços internacionais do petróleo, evitando maiores desequilíbrios econômicos. Para a população, a elevação do imposto pode resultar em preços mais altos para produtos derivados do tabaco, refletindo o esforço do governo em manter a estabilidade financeira sem ampliar o déficit público.
Brasília (DF), 06/04/2026 - Ministro da Fazenda, Dario Durigan, fala durante entrevista coletiva. Foto: Washington Costa/MF
© Washington Costa/MF

O imposto sobre cigarros subirá para compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o biodiesel e o querosene de aviação (QAV), combustível utilizado no transporte aéreo. 

A medida faz parte do pacote anunciado para conter os efeitos da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.

A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros subirá de 2,25% para 3,5%. Com isso, o preço mínimo da carteira deve passar de R$ 6,50 para R$ 7,50. 

A estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses.

A mudança busca compensar a decisão de zerar as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação, medida que deve reduzir em cerca de R$ 0,07 o preço por litro do combustível. O impacto fiscal dessa desoneração é estimado em R$ 100 milhões por mês.

Durante o anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que aumentos anteriores no imposto sobre cigarros não tiveram os efeitos esperados, nem na redução do consumo nem na ampliação da arrecadação.

Compensações

Além da alta no imposto sobre cigarros, o governo prevê outras fontes para equilibrar as contas. 

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a elevação nas receitas com royalties do petróleo deve ajudar a compensar os gastos com as medidas, estimados em R$ 10 bilhões.

No mês passado, a equipe econômica aumentou em R$ 16,7 bilhões a estimativa de arrecadação com royalties de petróleo para 2026. 

A projeção foi impulsionada pela alta de cerca de 40% no preço internacional do petróleo desde o início do conflito.

Durigan explicou também que entram na conta para manter medidas como a alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, instituída em março, o aumento da arrecadação dos tributos ligados aos lucros das empresas vendedoras de combustível e a elevação das receitas com leilões de petróleo da camada pré-sal.

Meta fiscal

Segundo o governo, o conjunto de ações busca equilibrar as contas públicas enquanto reduz o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia e o consumidor.

Para este ano, o governo prevê pequeno superávit primário de R$ 3,5 bilhões, excluindo os precatórios e alguns gastos fora do arcabouço fiscal, como defesa, saúde e educação. Ao incluir essas despesas, a previsão passa para déficit primário de R$ 59,8 bilhões.

O resultado primário representa o déficit ou superávit das contas do governo sem os juros da dívida pública. 

Durigan assegurou que a elevação do imposto sobre o cigarro, o imposto de exportação sobre petróleo e os aumentos de arrecadação decorrente da maior cotação do barril conseguirão compensar integralmente as medidas para segurar a alta dos combustíveis.

"Quando a gente faz um crédito extraordinário, por não estar previsto em razão da guerra, ele ultrapassa o limite previsto para o Orçamento deste ano, mas ele não exclui o cumprimento da meta de resultado primário. O que a gente gastar a mais para a proteção da população está necessariamente casado com o aumento de arrecadação", justificou o ministro da Fazenda.

Resumo da Notícia

O governo anunciou o aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros, elevando a taxa de 2,25% para 3,5%, o que deve elevar o preço mínimo da carteira para cerca de R$ 7,50. Essa ação tem como objetivo compensar a redução de receita provocada pela isenção dos tributos PIS e Cofins sobre o querosene de aviação e o biodiesel, combustível usado no transporte aéreo. A expectativa é arrecadar aproximadamente R$ 1,2 bilhão em dois meses para equilibrar as contas públicas diante do impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis. Além do aumento no imposto sobre cigarros, o governo conta com a elevação da arrecadação de royalties do petróleo e outras medidas tributárias para manter o equilíbrio fiscal e conter os efeitos da alta dos combustíveis na economia e no consumidor.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município