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Crédito da imagem: © CCBB/Divulgação

Exposição em São Paulo redefine sertão como símbolo de resistência cultural

Mostra Atlântico Sertão no CCBB apresenta arte que conecta sertão, direitos humanos e história colonial

Exposição em São Paulo redefine sertão como símbolo de resistência cultural

Essa exposição amplia a compreensão do sertão, ultrapassando estigmas e revelando sua importância como território de resistência cultural e histórica. Para o público, representa uma oportunidade de repensar narrativas regionais e valorizar a arte como ferramenta de combate às opressões e promoção dos direitos humanos.

A capital paulista recebe a partir desta quarta-feira (15) a exposição Atlântico Sertão, que desafia a visão tradicional do sertão como uma região meramente árida e interiorana do Nordeste brasileiro. Realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mostra propõe uma releitura que entende o sertão não como um espaço geográfico fixo, mas como uma condição humana e simbólica, carregada de significados históricos e culturais.

A palavra "sertão", embora amplamente utilizada, não é reconhecida oficialmente em mapas como os do IBGE, sendo antes um conceito afetivo e imagético que remete a diversas experiências e histórias. Marcelo Campos, um dos curadores da exposição, destaca que o sertão foi retratado principalmente por escritores como Guimarães Rosa e Euclides da Cunha, mas muitas vezes de forma coletiva e estigmatizada, sem espaço para vozes individuais.

Inspirada em pesquisas acadêmicas e no manifesto "Direitos humanos achados na arte", a exposição é fruto do trabalho do Coletivo Atlântico, movimento que une arte, política e filosofia para defender direitos humanos. O coletivo já realizou mostras em Genebra e no Rio de Janeiro, focando em temas ligados à colonização, diásporas africanas e povos originários. Agora, com Atlântico Sertão, busca dar visibilidade a grupos historicamente marginalizados, valorizando sua bravura e resistência.

O projeto reúne obras de mais de 70 artistas de diferentes regiões do Brasil, abrangendo pinturas, esculturas, fotografias e instalações que ocupam todos os andares do CCBB. A curadoria, assinada por Marcelo Campos e outros especialistas, estruturou a visita em seis eixos que exploram desde a vegetação e o céu até os tons do pôr do sol, simbolizando a vida, a coletividade e as lutas no sertão. A mostra destaca ainda as conexões entre o Brasil e a África, evidenciando o sertão como um território de circulação cultural e histórica.

Uma instalação inédita da artista multimídia biarritzzz está exposta no térreo, com múltiplas telas digitais em formato triangular, remetendo ao triângulo dos trios de forró e às sonoridades do deserto africano. Além da exposição, o CCBB promove debates e atividades educativas que abordam temas como direito ao sonho, reparação histórica e o papel da arte na defesa dos direitos humanos.

Além de ampliar o debate cultural, o Coletivo Atlântico também atua na esfera política, propondo um projeto de lei para regulamentar a profissão de artista visual no Brasil, categoria ainda não reconhecida oficialmente. Após a temporada em São Paulo, Atlântico Sertão seguirá para as unidades do CCBB em Salvador e Brasília, fortalecendo a discussão sobre identidade, memória e resistência cultural no país.

Resumo da Notícia

A exposição Atlântico Sertão, inaugurada no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, propõe uma nova leitura do sertão, afastando-se da visão tradicional como região árida do Nordeste para apresentá-lo como um espaço de resistência e diversidade cultural. Com obras de mais de 70 artistas brasileiros, a mostra explora o sertão como uma construção imagética e simbólica, destacando suas conexões com as heranças indígenas, africanas e populares, além de sua relação com a luta pelos direitos humanos. O coletivo responsável pelo projeto também atua politicamente, defendendo a regulamentação da profissão de artista visual no Brasil. A exposição segue para Salvador e Brasília nos próximos anos, ampliando o debate sobre memória, identidade e resistência no país.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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