Economia Brasil
Crédito da imagem: © Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Exportações brasileiras ao Oriente Médio caem 26% com conflito em 2025

Guerra no Oriente Médio impacta vendas de agronegócio, enquanto petróleo registra alta nas exportações do Brasil

Impactos no Comércio Exterior

As alterações nas exportações brasileiras evidenciam como conflitos internacionais podem afetar setores econômicos estratégicos, especialmente o agronegócio, que depende de mercados estáveis. A queda nas vendas para o Oriente Médio e América do Norte pode pressionar produtores, enquanto o aumento nas exportações de petróleo e o crescimento para China e União Europeia indicam uma adaptação do Brasil às novas dinâmicas globais, com reflexos diretos na balança comercial e na economia nacional.
Atracação de navios no Caís do Porto do Rio de Janeiro, guindaste, container.
© Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil

As exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% em março, primeiro mês da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões neste ano.

A queda atingiu principalmente produtos do agronegócio. A exportação de carne suína recuou 59%. As vendas de frango, principal item vendido ao Oriente Médio, caíram cerca de 22%. As vendas de soja para a região diminuíram 25%.

Segundo o diretor de Estatísticas da pasta, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir todos os efeitos do conflito sobre o comércio internacional.

“Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo [comercial], é necessário esperar um pouco mais”, disse Brandão.

No fim de março, o Brasil fechou um acordo com a Turquia para a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio exportadas para o Oriente Médio e a Ásia Central. Os efeitos, no entanto, só começarão a aparecer na balança comercial de abril.

Petróleo

O destaque positivo das exportações brasileiras foi o petróleo. As exportações de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 75,9%.

Segundo o governo, ainda não é possível afirmar que a alta esteja diretamente ligada ao conflito, embora a guerra já tenha afetado cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevado significativamente o preço do barril no mercado internacional.

Para os próximos meses, a expectativa é de queda nas vendas do produto. Para compensar parte dos subsídios ao diesel, o governo introduziu, em meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras de petróleo.

Impacto global

Além do Oriente Médio, outros mercados importantes também reduziram compras de produtos brasileiros em março na comparação com o mesmo mês do ano passado. 

As exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto houve recuos de 10% para o Canadá e de 5,9% para a Argentina.

No entanto, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, reforçando o papel do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil.

Resultados

Em relação aos Estados Unidos, o Brasil registrou déficit comercial em março, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões. Já com a China, houve superávit de US$ 3,8 bilhões no período.

As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto para a Argentina houve queda nas vendas, mas manutenção de saldo positivo na balança. 

O cenário reflete os impactos iniciais da guerra sobre o comércio global, com efeitos variados entre regiões e produtos, especialmente nas cadeias ligadas a energia e alimentos.

Apesar das quedas pontuais, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, alta de 10%, enquanto as importações cresceram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões.

Resumo da Notícia

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma queda significativa nas exportações brasileiras para o Oriente Médio em março de 2025, com retração de 26% no valor total. Produtos do agronegócio, como carne suína, frango e soja, sofreram os maiores impactos, enquanto o petróleo bruto teve aumento expressivo de 70%. O Brasil também enfrentou redução nas vendas para países como Estados Unidos, Canadá e Argentina, mas registrou crescimento nas exportações para a China e União Europeia. Apesar das variações regionais, o país alcançou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março, refletindo as mudanças no comércio global causadas pela guerra e a instabilidade nos mercados de energia e alimentos.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município