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Crédito da imagem: © Wellyngton Souza/Sesp-MT

EUA investigam 60 países por omissão no combate ao trabalho escravo

Escritório Comercial dos EUA avalia se países adotam medidas eficazes contra produtos fabricados com trabalho forçado.

Impactos da investigação dos EUA

A investigação dos Estados Unidos pode influenciar o comércio internacional, especialmente para países como o Brasil, ao exigir maior fiscalização contra o trabalho forçado. Isso pode levar a mudanças nas políticas comerciais e afetar exportações, reforçando a necessidade de práticas laborais responsáveis para evitar restrições e preservar a competitividade no mercado global.
Mato Grosso. Trabalho escravo. Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT
© Wellyngton Souza/Sesp-MT

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (Ustr, do nome original inglês) anunciou que vai apurar se as medidas que 60 países, incluindo o Brasil, adotam para impedir a exportação de bens supostamente produzidos com o emprego de trabalho forçado são suficientes para evitar a concorrência desleal e eventuais prejuízos às empresas estadunidenses.

“Essas investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas abomináveis impacta os trabalhadores e as empresas americanas”, afirmou o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em um comunicado que o Ustr divulgou nesta quinta-feira (12).

Entre as nações investigadas estão 60 dos maiores parceiros comerciais dos EUA: China; União Europeia; México; Canadá; Israel; Reino Unido e Emirados Árabes, entre outros. Na América Latina, a medida atinge, além de Brasil e México, a Argentina; Colômbia; Costa Rica; Equador; El Salvador; Guatemala; Guiana; Nicarágua; Peru; Uruguai e Venezuela.

“Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado”, acrescentou Greer, deixando claro que o foco da iniciativa é combater o que as autoridades estadunidenses interpretem como uma prática de concorrência desleal, e não possíveis violações aos direitos humanos.

Vinculada diretamente ao gabinete do presidente dos Estados Unidos, a Ustr é a agência governamental responsável por negociar acordos comerciais com outros países e assessorar o mandatário estadunidense em relação à política comercial. Para começar a apurar se “os atos, políticas e práticas” das 60 economias escrutinadas “são desarrazoados ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”, a agência se vale de uma lei de 1974, que autoriza o representante comercial a instaurar uma investigação por iniciativa própria.

A Seção 301 da Lei de Comércio visa a combater práticas estrangeiras que os EUA julguem desleais e que afetem seus interesses comerciais. Se a USTR determinar que um país investigado não impôs barreiras capazes de impedir a exportação de bens produzidos com o emprego de trabalho análogo à escravidão, a Casa Branca pode aplicar tarifas punitivas ou restrições comerciais contra esses mesmos produtos.

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Segundo o Ustr, autoridades dos 60 países alvos da iniciativa já foram notificados. O escritório realizará audiências em 28 de abril, para ouvir os argumentos dos interessados. Para garantir que suas considerações sejam levadas em conta, as partes interessadas devem enviar comentários por escrito, solicitações para comparecer à audiência, juntamente com um resumo do depoimento, até 15 de abril de 2026.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com os ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e Público do Trabalho (MPT) e aguarda por suas manifestações. 

 

Resumo da Notícia

Os Estados Unidos iniciaram uma investigação que examina se 60 países, entre eles o Brasil, adotam medidas suficientes para impedir a exportação de produtos fabricados com trabalho forçado. A ação busca avaliar se a ausência de barreiras eficazes resulta em concorrência desleal que prejudica empresas americanas. A iniciativa, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para analisar políticas e práticas comerciais desses países. Caso sejam identificadas falhas, o governo dos EUA pode impor tarifas ou restrições comerciais. Autoridades das nações envolvidas já foram notificadas, e audiências estão agendadas para abril de 2026, com prazo para envio de contribuições até meados do mesmo mês. A medida destaca o foco dos EUA em proteger seus interesses econômicos frente às possíveis vantagens obtidas por meio do trabalho forçado no comércio internacional.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.