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Estudo revela poluição alarmante da matéria orgânica dos oceanos

Pesquisadores identificam poluentes industriais e farmacêuticos em amostras de água coletadas globalmente.

Estudo revela poluição alarmante da matéria orgânica dos oceanos

A poluição dos oceanos com compostos industriais e farmacêuticos pode afetar a saúde dos ecossistemas marinhos e, consequentemente, a segurança alimentar global. A conscientização sobre essa questão é essencial para futuras ações de proteção ambiental.

A matéria orgânica dissolvida nos oceanos apresenta uma preocupante carga de poluentes, incluindo substâncias industriais e medicamentos, conforme revela um estudo recente publicado na revista Nature Geoscience. A pesquisa, que analisou 2.315 amostras de água coletadas entre 2017 e 2022, identificou 248 compostos químicos resultantes de atividades humanas, conhecidos como xenobióticos.

Os pesquisadores, incluindo o brasileiro Bruno Ruiz Brandão da Costa, descobriram que muitos dos poluentes estão relacionados à produção de plásticos, além de resíduos de fármacos como o atenolol, utilizado no tratamento de hipertensão, e inseticidas como DEET, comumente encontrados em repelentes. A pesquisa revelou que esses compostos estavam mais disseminados do que se esperava, especialmente em regiões costeiras, onde a contaminação pode ultrapassar 20% da composição das amostras.

A análise abrangeu locais nos oceanos Índico, Atlântico Norte e Pacífico, além de áreas como o Mar Báltico e o Caribe. Nas zonas costeiras, os sinais químicos de poluentes superaram 20%, enquanto em áreas de mar aberto, a contaminação média foi de 0,5%. Apesar de parecer baixo, esse índice é significativo, considerando a distância de atividades humanas.

O estudo utilizou uma tecnologia que permite identificar poluentes sem necessidade de correspondência exata em bancos de dados, agrupando compostos por semelhanças em suas estruturas moleculares. Essa abordagem possibilitou a detecção de substâncias que não estavam previamente catalogadas. Os resultados são considerados um dos mais abrangentes sobre a presença de poluentes na matéria orgânica dissolvida dos oceanos.

Bruno Costa observa que essa análise inicial pode ser expandida para investigações mais específicas sobre determinados poluentes e incluir áreas ainda não estudadas, como o Atlântico Sul, que banha a costa brasileira. O pesquisador e seu coordenador, Daniel Petras, estão em busca de colaborações internacionais para dar continuidade a esses estudos.

Os poluentes mais frequentemente encontrados nas amostras são de origem industrial, com destaque para compostos petroquímicos. Fármacos e pesticidas foram mais detectados em áreas de estuário e regiões urbanizadas. Os cinco poluentes mais prevalentes foram identificados em mais de 30% das amostras, revelando a ampla dispersão e os riscos potenciais à saúde e ao meio ambiente.

Além da necessidade de monitoramento contínuo e padronizado dos poluentes, os pesquisadores ressaltam a importância de compartilhar dados conforme os princípios da ciência aberta. Isso permitirá que outros cientistas acessem e utilizem as informações, contribuindo para uma melhor compreensão dos impactos dos compostos antropogênicos nos ecossistemas marinhos e no ciclo do carbono do planeta. O estudo completo está disponível no artigo "Widespread presence of anthropogenic compounds in marine dissolved organic matter".

Resumo da Notícia

Uma pesquisa internacional analisou mais de 2 mil amostras de água dos oceanos e detectou a presença de 248 poluentes derivados de atividades humanas. Os resultados apontam para a contaminação significativa da matéria orgânica marinha, especialmente em áreas costeiras. O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, alerta sobre os riscos que esses poluentes representam para a saúde dos ecossistemas marinhos e a cadeia alimentar.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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