Desmatamento ameaça produção artesanal de cocares indígenas no Brasil
No Acampamento Terra Livre, realizado em Brasília, artesãos indígenas denunciaram o impacto direto do desmatamento e das queimadas na produção dos tradicionais cocares. Tapurumã Pataxó, artesão de 32 anos da Aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA), destacou que a escassez de aves, como maritacas e araras, afeta o acesso às penas necessárias para confeccionar esses símbolos culturais.
Tapurumã aprendeu a fazer cocares ainda criança com seus avós e lamenta a destruição dos territórios indígenas e do Brasil como um todo, causada principalmente por invasores e grileiros que utilizam agrotóxicos e promovem queimadas ilegais. Ele relembra que desde o primeiro contato com os portugueses, em 1500, seu povo tem sofrido com o desmatamento que levou à diminuição significativa das aves.
Outra artesã pataxó, Ahnã, que também vive em Porto Seguro, relata que hoje a coleta de penas se tornou tão difícil que muitas vezes recorrem a zoológicos para obtê-las. Ela ressalta a tristeza de ver animais que antes viviam livres agora confinados por causa da devastação ambiental e da falta de consciência ecológica. Ahnã destaca a necessidade de ações para promover a preservação das espécies e do meio ambiente.
Em Pernambuco, o artesão Keno Fulni-ô, de 40 anos, observa que as mudanças climáticas alteraram o comportamento das aves presentes em sua região, como o gavião, o caracará e a garça. Ele explica que encontros como o Acampamento Terra Livre são importantes para que os artesãos troquem penas e compartilhem técnicas, visto que cada habitat possui espécies distintas, com diferentes níveis de resistência às mudanças ambientais.
Para os indígenas, o cocar vai além de um ornamento: é um símbolo de identidade, proteção e resistência. Tapurumã enfatiza que o cocar representa a força do povo para lutar por seus direitos e pela demarcação de seus territórios. Ele e Keno pedem respeito no uso do cocar por não indígenas, alertando contra apropriações culturais indevidas, como usar o cocar em festas ou carnavais.
Ahnã acrescenta que, em sua comunidade, o cocar é um símbolo de aliança, substituindo a troca de alianças metálicas em casamentos tradicionais. A costura das penas representa a união do povo indígena. Entre os jovens, Aalôa Fulni-ô, de 21 anos, demonstra habilidade na produção dos cocares, costurando penas com rapidez e dedicação, valorizando a cultura e fortalecendo a voz de sua comunidade.
A situação apresentada no Acampamento Terra Livre expõe a urgente necessidade de proteção dos territórios indígenas e do meio ambiente para garantir a preservação das tradições culturais e a continuidade das práticas artesanais. O desafio permanece em equilibrar a conservação ambiental com o respeito às identidades e direitos indígenas, essenciais para o futuro dessas comunidades.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.