Conflito no Oriente Médio Impacta Severamente Economias em Desenvolvimento, Diz ONU
As recentes tensões no Oriente Médio estão colocando em risco os ganhos econômicos conquistados ao longo dos anos, conforme aponta um relatório divulgado pelas Nações Unidas nesta terça-feira (19) em Nova Iorque. De acordo com o documento, a situação atual não só desacelerou o crescimento das economias em desenvolvimento, mas também elevou os níveis de inflação, gerando um ambiente econômico global em deterioração.
O relatório, intitulado 'Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026', prevê que o crescimento do PIB global recuará para 2,5% em 2026, uma queda de 0,2 pontos porcentuais em relação às projeções anteriores. Essa desaceleração é atribuída ao aumento dos custos de energia, comércio enfraquecido e condições financeiras mais restritas, afetando principalmente os países em desenvolvimento, que estão sentindo os impactos de forma mais intensa.
A crise energética resultante do conflito resultou em uma escalada nos preços de frete e seguro, pressionando as cadeias de suprimentos e elevando os custos de produção em todo o mundo. Enquanto isso, empresas do setor energético estão se beneficiando de lucros elevados, as famílias e empresas enfrentam dificuldades financeiras crescentes, especialmente nas economias mais vulneráveis.
O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Li Junhua, destacou a gravidade da situação, ressaltando que as tensões atuais intensificam as vulnerabilidades da dívida e restringem os recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável. O aumento das taxas de inflação, que deve atingir 5,2% nas economias em desenvolvimento, representa um dilema para os bancos centrais: subir as taxas de juros para controlar a inflação pode sufocar ainda mais o crescimento econômico.
O impacto da crise não é uniforme. No Oriente Médio, o crescimento está projetado para despencar de 3,6% em 2025 para apenas 1,4% em 2026, devido a danos diretos à infraestrutura e interrupções na produção de petróleo e comércio. Enquanto isso, na América do Norte, os Estados Unidos devem continuar a crescer a uma taxa estável de 2,0%, impulsionados por uma demanda doméstica robusta e investimentos em tecnologias avançadas.
Na Europa, a dependência de energia importada está pressionando ainda mais as famílias e empresas, levando a uma previsão de crescimento reduzido para 1,1% em 2026. Na Ásia, apesar de uma desaceleração, a China e a Índia continuam a se destacar, apresentando crescimento positivo, embora abaixo das taxas anteriores.
A deterioração nas perspectivas econômicas globais tem consequências diretas sobre a segurança alimentar e a renda das populações mais vulneráveis, com os custos de alimentos e energia consumindo uma parte significativa de seus orçamentos. Os governos, por sua vez, enfrentam dificuldades para proteger essas populações, uma vez que os fluxos de ajuda estão diminuindo e a pressão sobre os serviços públicos aumenta.
A ONU enfatiza a necessidade de uma ação multilateral sustentada para lidar com esses desafios interconectados. O relatório destaca a importância de manter o comércio aberto, expandir o financiamento concessional e apoiar a transformação estrutural nos países mais afetados.
Com as tensões no Oriente Médio mostrando poucos sinais de redução, os impactos econômicos da crise continuarão a reverberar em todo o mundo, exigindo atenção e ação rápida para mitigar os efeitos adversos sobre as economias em desenvolvimento e o progresso global rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.