Cidadania Campo Grande
Crédito da imagem: © Iphan/MS

Comunidade Quilombola Tia Eva é o 1º Quilombo Tombado pelo Iphan

Reconhecimento protege patrimônio cultural e fortalece luta contra especulação imobiliária em Campo Grande

Proteção e valorização quilombola

O tombamento oficial da comunidade quilombola Tia Eva fortalece a preservação cultural e territorial, garantindo direitos contra ameaças externas e promovendo a participação local na conservação. Essa medida contribui para a valorização das tradições afro-brasileiras, impulsiona investimentos em educação patrimonial e amplia a visibilidade nacional e internacional do patrimônio cultural do Brasil.
Tia Eva (MS) é primeiro quilombo declarado tombado com a Portaria nº 135/2023 e inaugura novo Livro do Tombo. Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS). Foto: Iphan/MS
© Iphan/MS

A festa de São Benedito, a igreja local, as reminiscências deixadas pela matriarca estão entre os bens materiais e imateriais que passaram a ser reconhecidos, na última semana, quando a comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS), se tornou o primeiro quilombo do país tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, vivem mais de 400 pessoas, que têm o território urbano reconhecido e esperam pela titulação. 

Para uma das diretoras da associação dos moradores, Vânia Lúcia Duarte, de 50 anos, o reconhecimento ajuda na preservação de uma comunidade já espremida pela especulação imobiliária.

“O tombamento é muito importante para a visibilidade e afirmação de nossa luta”, diz Vânia, que sempre viveu na comunidade. 

A Constituição de 1988, no artigo 216, diz que devem ser "tombados todos os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas de antigos quilombos". Uma portaria do governo regulamenta os procedimentos.

A novidade sobre o avanço dos tombamentos de comunidades quilombolas foi um dos temas tratados durante das atividades dos últimos três anos feito pelo Iphan. O atual presidente do instituto, Leandro Grass, explicou, nessa terça-feira (17), que os quilombos que podem solicitar o tombamento constitucional são aqueles que a Fundação Palmares já certificou.

“O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades”, argumentou. 

Além do tombamento da comunidade em Campo Grande, há outros 23 quilombos na fase de documentação em que os moradores participam apontando o que deveria ser tombado. Mais 15 casos estão em análise pelos especialistas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Participação popular

 Além das comunidades tradicionais, Leandro Grass defendeu que a participação da população é fundamental para a defesa do patrimônio. Nesse processo de conscientização, ele citou que, entre os desafios brasileiros (e também internacionais) está o contexto das mudanças climáticas como ameaça aos bens materiais e imateriais. 

O presidente do instituto citou que um programa, denominado Conviver, apoia moradores de cidades históricas em que o patrimônio cultural está por todos os lados. “O Iphan capacita para a conservação de casas, espaços públicos, práticas e saberes”, Até o momento, o projeto está implantado em 28 cidades e têm investimentos de R$ 33,4 milhões.

“A própria comunidade, que é capacitada com formação de mão de obra, passa a ser protagonista da preservação de seus lugares”. 

Reconhecimentos

Ao todo, no país, nos últimos três anos, foram investidos R$ 44 milhões na preservação de patrimônios imateriais e R$ 69 milhões de bens materiais. No mesmo período, foram 24 bens materiais tombados e 13 imateriais registrados. Segundo o Iphan, isso significou mais da metade de todos os  patrimônios reconhecidos na década.

Leandro Grass lembrou que um dos maiores desafios do instituto ocorreu no início da gestão, após o 8 de janeiro de 2023. A recuperação de obras de arte vandalizadas custou mais de R$ 2 milhões. 

O instituto defende que é preciso investir em reconhecimento e conscientização do patrimônio ao dar visibilidade ao que os vândalos destruíram e como foi recuperado. Campanhas educativas, materiais para estudantes e outros conteúdos foram divulgados para o que o instituto chama de educação patrimonial.

Um dos espaços públicos que passa pelo processo de reforma atualmente é a Praça dos Três Poderes, em Brasília, com custos de mais de R$ 34 milhões. São recursos no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e captados por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. 

Grass, que deve sair do cargo para candidatura eleitoral, explicou que o cronograma prevê a entrega da infraestrutura, piso, calçamento e drenagem, até dezembro deste ano. “Depois a gente parte para um complemento que é o restauro de todos os monumentos e alguns aspectos de acabamento e iluminação”, explicou.  Segundo ele, esses trabalhos ocorrem no ano que vem. 

Além do investimento em conscientização local, depois do reconhecimento do modo de fazer artesanalmente o “queijo minas”, o Brasil entregou à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mais três candidaturas a patrimônio da humanidade: as matrizes tradicionais do forró, o maracatu nação e os teatros da Paz, em Belém, e o Amazonas, em Manaus.

Resumo da Notícia

A comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS), tornou-se o primeiro quilombo do Brasil oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Com mais de 400 moradores, o reconhecimento visa preservar bens materiais e imateriais, como festas tradicionais e a igreja local, fortalecendo a identidade cultural e a resistência contra a pressão imobiliária. O tombamento constitucional protege territórios certificados pela Fundação Palmares e integra um esforço nacional que envolve dezenas de outros quilombos em processo de documentação e análise. Além disso, o Iphan promove a participação das comunidades na conservação do patrimônio, incluindo projetos de capacitação como o programa Conviver, que atua em 28 cidades históricas. Nos últimos três anos, investimentos significativos foram destinados à preservação de patrimônios culturais, reforçando a importância da educação patrimonial e da recuperação de espaços públicos, como a Praça dos Três Poderes, em Brasília. O reconhecimento também impulsiona candidaturas brasileiras a patrimônios da humanidade na Unesco, ampliando o valor e a visibilidade do patrimônio cultural nacional.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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