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Crédito da imagem: © Antônio Cruz/Agência Brasil

Cartilha orienta abordagem responsável da violência de gênero online

Guia gratuito para comunicadores ajuda a tratar casos de violência contra mulheres nas redes sociais com respeito e contexto

Comunicação ética contra violência

A cartilha oferece ferramentas essenciais para que influenciadores e comunicadores abordem a violência contra mulheres de maneira responsável, contribuindo para a redução de estigmas e a promoção de um debate mais consciente. Essa orientação é fundamental para enfrentar o aumento dos crimes de gênero e discursos de ódio, fortalecendo a proteção das vítimas e incentivando a responsabilização dos agressores na sociedade.
Brasília, 21/07/2023, A estudante Júlia, mexe em seu celular. Sonhos das juventudes: políticas ajudam a potencializar trajetórias e criar oportunidades. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
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Falar sobre violência de gênero exige cuidado sobre o impacto que palavras, perguntas e imagens podem ter. Com o objetivo de contribuir para uma internet mais responsável, informada e acolhedora, a ONG Redes Cordiais lançou a cartilha Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher.

Embora direcionada a comunicadores e influenciadores digitais, a cartilha será disponibilizada gratuitamente ao público. A iniciativa conta com apoio do YouTube e propõe orientar criadores de conteúdo na abordagem responsável de casos de violência contra meninas e mulheres nas redes sociais.

O lançamento oficial está previsto para o próximo domingo (8), Dia Internacional da Mulher, e ocorre em meio ao aumento da repercussão de crimes de gênero e à disseminação de discursos de ódio na internet, incluindo grupos associados aos chamados movimentos “redpill”. 

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, em 2025 foram registradas 621.202 medidas protetivas concedidas, 998.368 novos processos por violência doméstica e 4.243 casos de feminicídio em tribunais de primeiro grau. Em 2020, haviam sido contabilizados 2.188 feminicídios, o que representa uma alta de quase 94% em cinco anos.

A diretora executiva e co-fundadora do Redes Cordiais, Clara Becker, reforça que a internet tem sido um ambiente de amplificação desses discursos.

“Não é que as violências não acontecessem antes do advento das redes, mas vemos que hoje essas violações têm se amparado em discursos de ódio que são disseminados na internet, principalmente em grupos que se propõem a induzir meninos e homens a odiar meninas e mulheres, nutrindo esses sentimentos de controle e posse para legitimar seus comportamentos”, diz Becker.

Orientações

O material traz a diferenciação dos tipos de violência, esclarece o conceito de consentimento e apresenta recomendações práticas para cobertura jornalística e produção de conteúdo.

As principais orientações são:

  • Não culpabilizar a vítima, independentemente de roupas, comportamento, histórico pessoal, uso de álcool ou escolhas afetivas.
  • Evitar o uso da voz passiva, como “Mulher é morta”. Isso pode esconder a responsabilidade do agressor.
  • Não recorrer ao sensacionalismo, como descrever episódios de violência com detalhes e imagens sensíveis.
  • Contextualizar os casos dentro de estruturas mais amplas, como misoginia e racismo.
  • Permitir que sobreviventes falem por si, sem induzir respostas.
  • Ao falar sobre o agressor, não antecipar sentença judicial. Adotar termos como “suspeito”, “acusado”, “investigado”, de acordo com cada caso.

Há ainda um capítulo dedicado a comunicadores que sejam procurados por vítimas. O documento orienta a manter uma abordagem acolhedora, não duvidar do relato, oferecer contatos de serviços oficiais, como o Ligue 180 e o 190, além de não divulgar histórias sem autorização e reconhecer limites pessoais diante da situação.

Resumo da Notícia

A ONG Redes Cordiais lançou a cartilha 'Fala que Protege', que oferece diretrizes para influenciadores e comunicadores abordarem a violência contra mulheres de forma cuidadosa e responsável nas redes sociais. O material, disponível gratuitamente, orienta sobre a importância de não culpabilizar vítimas, evitar sensacionalismo e usar linguagem adequada para não minimizar a responsabilidade dos agressores. Além disso, o guia destaca a necessidade de contextualizar os casos dentro de temas como misoginia e racismo, e sugere formas de acolhimento para quem relata violência. A iniciativa, apoiada pelo YouTube e lançada no Dia Internacional da Mulher, surge diante do aumento dos crimes de gênero e do crescimento de discursos de ódio online. Dados indicam alta significativa nos feminicídios e processos relacionados à violência doméstica no Brasil, reforçando a urgência de uma comunicação mais ética e informada sobre o tema.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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