Impacto Econômico do Carnaval
Carnaval intensifica fluxo turístico e é oportunidade de lucro nacional
Festividade estimula a economia criativa e impacta imagem internacional do País, comenta Alexandre Panosso Netto
Texto: *Breno Marino

Nos primeiros meses do ano, o Brasil e seus habitantes funcionam em uma rotação diferente. O Carnaval, marca cultural do País, movimenta os brasileiros, o comércio local e atrai milhões de turistas anualmente. Os foliões e festividades, que começam antes mesmo do feriado nacional, alteram as dinâmicas sociais e econômicas no País.
Além de intensificar os fluxos turísticos internamente, o evento atrai turistas de diversos outros países. Alexandre Panosso Netto, professor de Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, comenta que a festividade causa impactos profundos na economia, no mercado de trabalho e na imagem internacional do Brasil.

Complexidade turística
O Carnaval é, há décadas, um dos principais motivadores de deslocamento turístico no Brasil. Segundo a Embratur, em 2025, entraram no País 723 mil turistas em fevereiro e 618 mil em março. Esses são os melhores meses do ano em fluxo turístico, atrás apenas de janeiro, que registrou a entrada de 802 mil turistas.
O evento pode ser entendido como um produto turístico complexo, visto que articula bens materiais e imateriais, como dança, gastronomia, patrimônio cultural e hospitalidade. “Não se trata apenas de consumo de serviços, mas de consumo simbólico, de pertencimento e de memória”, afirma o docente. Para o turismo, festas dessa magnitude cumprem um papel estratégico, ao aumentar o tempo de permanência do visitante e consumo local.
Economia criativa
Um dos aspectos mais importantes do Carnaval, de acordo com Panosso, é a capacidade de geração de renda e emprego em múltiplas camadas da economia. Além dos desfiles televisionados, a festividade movimenta uma extensa cadeia produtiva, formada por hotéis, pousadas, restaurantes, bares e outras instituições e serviços. Logo, essa é uma ótima oportunidade de trabalho para os brasileiros.
“Do ponto de vista do turismo, é importante destacar que grande parte desses empregos ocorre no campo da economia criativa, um setor intensivo em trabalho humano, conhecimento cultural e identidade local. O Carnaval evidencia que cultura não é gasto, é investimento”, comenta o professor.
Necessidade de curadoria
A festividade é um dos elementos mais importantes na formação da imagem turística do Brasil. O evento, através de sua animação, foliões e música, projeta um país vibrante, multicultural e criativo. Por outro lado, quando reduzido a estereótipos, que subvalorizam os brasileiros e sua cultura, pode reforçar visões simplificadas ou exóticas do País, descoladas de sua complexidade social, histórica e territorial.
Dessa forma, de acordo com o docente, o Carnaval é uma vitrine que precisa de curadoria. “Cada vez mais, cidades brasileiras buscam diversificar suas narrativas carnavalescas, valorizando expressões culturais que fogem do modelo midiático”, afirma Panosso. Ele ainda complementa que essa ocupação intensiva do espaço público gera tensões. Neste sentido, a qualidade da convivência urbana e o respeito às comunidades locais são fatores primordiais para o sucesso do evento.
O planejamento das cidades durante esse período do ano é essencial para garantir uma boa experiência para turistas e residentes. Compreender os efeitos e natureza da festividade permite valorizá-la não só como expressão cultural, mas também como estratégia turística.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.