Saúde e Bem-Estar Brasil
Crédito da imagem: © Rovena Rosa/Agência Brasil

Butantan iniciará produção nacional de remédio contra câncer para o SUS

Parceria com farmacêutica internacional permitirá fabricar medicamento imunoterápico com custos reduzidos no Brasil

Avanço na produção nacional de remédios

A fabricação local do pembrolizumabe pelo Instituto Butantan representa um passo importante para ampliar o acesso a tratamentos oncológicos avançados no SUS, reduzindo custos e dependência externa. Essa iniciativa fortalece a autonomia tecnológica do país, melhora a segurança no fornecimento de medicamentos essenciais e pode beneficiar pacientes com diferentes tipos de câncer, contribuindo para o fortalecimento do sistema público de saúde.
Fachada do centro de pesquisa biológica Instituto Butantan
© Rovena Rosa/Agência Brasil

O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD firmaram uma parceria para que o laboratório público brasileiro passe a produzir medicamento avançado contra o câncer a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde.

O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico para identificar e combater as células cancerígenas. Além disso, é uma alternativa de tratamento menos tóxica do que a quimioterapia tradicional, e tem demonstrado grande eficácia. 

O remédio já vem sendo comprado pelo Ministério de Saúde, diretamente da MSD, e é usado no SUS, para o tratamento de alguns pacientes com melanoma metastático, tipo de câncer de pele agressivo e que se espalha para outros órgãos.

De acordo com a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, aproximadamente 1,7 mil pessoas são atendidas por ano, a um custo de R$ 400 milhões. 

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar a inclusão no tratamento de casos de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MSD calcula que isso aumente a demanda para cerca de 13 mil pacientes por ano. 

Fernanda de Negri explica que um dos benefícios da parceria é a possibilidade de diminuição de custos, pois o contrato prevê a transferência gradual de tecnologia, para que, em alguns anos, o Butantan possa assumir a produção do medicamento. Outros benefícios são a prioridade no fornecimento e o desenvolvimento tecnológico. 

"O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro."

Segundo ela, a produção nacional deixa o paciente mais seguro. "A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas."

Concorrência

A parceria é resultado de edital com o objetivo de promover a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas com o objetivo de desenvolver ou absorver tecnologias que favorecem o SUS. O edital faz parte de uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS, em até 10 anos. 

O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo cruz, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan vai começar assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será feita gradualmente ao longo de dez anos. 

"No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional."

O anúncio da parceria foi feito durante o evento Diálogo Internacional - Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da abertura de maneira remota, e ressaltou a importância das parcerias para o desenvolvimento do país.

"Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados."

O ministro destacou ainda a cadeia estrutural do sistema público de saúde brasileiro. "O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica."

Resumo da Notícia

O Instituto Butantan firmou acordo com a farmacêutica MSD para produzir o pembrolizumabe, medicamento inovador que estimula o sistema imunológico contra o câncer, destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, resultado de edital do Ministério da Saúde, visa a transferência gradual de tecnologia para que o Butantan assuma a fabricação completa em até dez anos, reduzindo custos e garantindo maior segurança no fornecimento. Atualmente, o remédio é utilizado no tratamento de melanoma metastático, mas a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias avalia sua ampliação para outros tipos de câncer. O projeto integra uma estratégia nacional para nacionalizar 70% dos insumos de saúde do SUS, fortalecendo o desenvolvimento tecnológico e a autonomia do país na área da saúde.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município