Política Brasil
Crédito da imagem: © Departamento de Estado dos EUA/Divulgação

Brasil revoga visto de assessor de Trump e nega visita a Bolsonaro

Ministério das Relações Exteriores cancela visto por informações falsas e STF barra visita de assessor americano a ex-presidente

Implicações diplomáticas e eleitorais

A revogação do visto evidencia tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, afetando relações políticas em um ano eleitoral delicado. A medida reforça o controle sobre influências externas em processos internos e pode impactar negociações futuras, além de sinalizar a importância da transparência e da reciprocidade na concessão de vistos entre os países.
Estados Unidos, 10/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos. Foto: Departamento de Estado dos EUA/Divulgação
© Departamento de Estado dos EUA/Divulgação

O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira (13) a revogação do visto do assessor do governo do presidente Donald Trump Darren Beattie. Ele pretendia visitar o Brasil na próxima semana.

Segundo a pasta, a decisão foi tomada “tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”.

“Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, informou a assessoria.

Mais cedo, durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Darren Beattie só entrará no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados.”

Lula lembrou que, em 2025, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. À época, o visto do ministro estava vencido e, portanto, não passível de cancelamento.

“Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, completou Lula.


>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Visita negada

Na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie.

Na decisão, Moraes disse que a visita do assessor do presidente Donald Trump não foi comunicada à diplomacia brasileira e não está inserida na agenda oficial que será cumprida no Brasil.

“Ingerência”

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

A declaração consta em ofício enviado pelo chanceler brasileiro ao ministro do Supremo.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira no documento.

O pedido

O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu, na última terça-feira (10), ao STF autorização para receber a visita de Darren Beattie. Aliado do presidente Donald Trump, Beattie trabalha para o Departamento de Estado e é responsável por assuntos ligados ao Brasil.

No pedido de autorização encaminhado ao Supremo, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17) – datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil.

A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.

Resumo da Notícia

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou a revogação do visto do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, após constatar omissão e falsificação de informações na solicitação do documento. A decisão impede a visita de Beattie ao país, que tinha planos de se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Lula condicionou a entrada do assessor à liberação dos vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cujos familiares tiveram vistos cancelados nos EUA. O Supremo Tribunal Federal também rejeitou o pedido de Bolsonaro para receber Beattie, alegando falta de comunicação oficial e possível interferência em assuntos internos brasileiros. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a visita como uma possível ingerência estrangeira em ano eleitoral.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município